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UrgĂȘncia Menstrual

  • Gabriel Dias
  • 21 de mar. de 2024
  • 4 min de leitura

“Tão básico e simples quanto o ato cotidiano de mulheres serem seres que menstruam.”

(Carolina Delboni, 2023).


A menstruação nĂŁo Ă© nenhuma novidade na natureza humana, sendo uma necessidade fisiolĂłgica do corpo de qualquer mulher passar pelo processo da menstruação. Ainda assim Ă© cercado por diversos tabus sociais, causando constrangimento a muitas mulheres em seus perĂ­odos menstruais. AlĂ©m disso, Ă© mais um desafio para a população brasileira garantir a dignidade menstrual, vendo que por muitas vezes o absorvente, o meio de higiene mais Ăștil para esses casos, ainda Ă© taxado como cosmĂ©ticos em muitos setores comerciais, tornando ainda mais difĂ­cil o acesso, principalmente para a população em estado de vulnerabilidade social e financeira.


Ilustração 1 - Talvez as mulheres precisem aprender a menstruar.

Arte simbolizando o desconforto das mulheres com a menstruação.


Fonte 1


“elas tĂȘm medo, elas sentem vergonha do prĂłprio corpo, elas sentem vergonha de quem sĂŁo e do momento que elas estĂŁo passando, porque Ă© um momento que elas acham que Ă© sujo que Ă© impuro, Ă© caro, inclusive em torno de todo ciclo menstrual da vida da mulher ela gasta em torno de 3 a 8 mil reais sĂł nesse perĂ­odo” . 


É o que afirma Carolina Baruk, na audiĂȘncia da ComissĂŁo de Defesa dos Direitos da Mulher, de 2023.


Aproximadamente 4 milhĂ”es de mulheres no PaĂ­s nĂŁo possuem renda suficiente para comprar absorventes, conforme aponta o estudo Pobreza Menstrual no Brasil, de 2018, produzido pela ONU. Segundo estudo da UNICEF, 713 mil meninas brasileiras nĂŁo tĂȘm acesso a banheiros em suas casas, e mais de 632 mil meninas vivem sem acesso a sequer um banheiro de uso comum no terreno ou propriedade. Isso representa a violação de direito ao acesso e garantia de condiçÔes de higiene.


 1 Disponível em <https://pin.it/5ZuNM09TR>



“São 632 mil meninas que não tem banheiro. E quem não tem banheiro, não tem água, não tem luz, não tem sabonete, não tem absorvente. É isso que a gente chama de pobreza menstrual.” (Delboni, 2023)


E como efeito disso ainda cabe dizer sobre a evasão escolar, tendo em vista que muitas meninas jå se viram obrigadas a faltar às aulas devido a falta de um absorvente, ou até mesmo pela simples vergonha de estar no período menstrual, quando isso é um fator para ser desmoralizada frente ao dilema social que se opÔe a esse processo natural.


Dados da ONU apontam que, no mundo, uma em cada dez meninas faltam Ă s aulas durante o perĂ­odo menstrual. No Brasil, esse nĂșmero Ă© superado, pois uma entre quatro estudantes jĂĄ deixou de ir Ă  escola por nĂŁo ter absorventes.



Ilustração 2 - La crisis mås grande que enfrentan las niñas durante su periodo

Arte com interpretação para a evasão escolar de meninas por causa da menstruação.



Fonte 2


Mas nĂŁo sĂł um perigo Ă  escolaridade, como um perigo gravĂ­ssimo Ă  saĂșde das mulheres e meninas brasileiras, porque quando nĂŁo se tem acesso a um meio seguro como o absorvente, Ă© preciso optar por meios alternativos, que por muitas vezes arriscam a saĂșde e a higiene. Entre as consequĂȘncias diretas da falta de acesso, estĂŁo as doenças e problemas vaginais. Infecção urinĂĄria ou cistite, candidĂ­ase, infecção vaginal por fungo, infecção vaginal por bactĂ©ria, dentre outras enfermidades que atingem o pĂșblico feminino que passa pela pobreza menstrual.


“É uma pauta que tem uma interseccionalidade muito grande, que toca em superfĂ­cies muito diversas e que no final das contas diz respeito a esse lugar de subgente, de subcategoria que nĂłs mulheres ainda ocupamos no debate polĂ­tico” foram as palavras da Deputada Lohanna, na audiĂȘncia da ComissĂŁo de Defesa dos Direitos da Mulher, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais em relação a reuniĂŁo sobre a Dignidade menstrual.


 2 Disponível em <https://pin.it/eL8F005fc>



A mesma afirmação Ă© dita pela estudante Hillary Gomes, do Distrito Federal, autora da segunda sugestĂŁo legislativa sobre o tema. “Menstruação Ă© algo normal para a maioria das pessoas com Ăștero, mas, infelizmente, algumas delas nĂŁo possuem condição financeira suficiente para comprar todo mĂȘs um pacote de absorvente”. Hillary acrescenta dizendo que o Sistema Único de SaĂșde distribui preservativos para evitar as doenças sexualmente transmissĂ­veis, mas nĂŁo apresenta uma preocupação de igual importĂąncia com os absorventes.



Ilustração 3 - arte usada por grupos feministas para propagar suas opiniÔes sobre a dignidade menstrual.


Fonte 3


Em decorrĂȘncia da insistĂȘncia constante dos grupos sociais e polĂ­ticos a favor da dignidade menstrual, a ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) aprova projeto de lei que garante absorventes a mulheres em situação de vulnerabilidade. Trata-se da Lei Federal 14.214, que cria o Programa de Proteção e Promoção da SaĂșde Menstrual, promulgada somente apĂłs derrubada de veto presidencial pelo Congresso Nacional, O PL 1.428/20 prevĂȘ a realização de parcerias com a iniciativa privada ou com organizaçÔes nĂŁo governamentais para a aquisição dos itens, o incentivo Ă  fabricação de absorventes de baixo custo por microempreendedores individuais e pequenas empresas e o fomento Ă  criação de cooperativas para impulsionar a produção.


A Deputada Leninha, autora da PL 1.428/20, alegou como justificativa para a criação desta que "mulheres muitas vezes passam por situaçÔes constrangedoras e atĂ© problemas de saĂșde quando do uso de materiais inapropriados na tentativa de substituir o item de higiene".


“ O FarmĂĄcia Popular estĂĄ disponibilizando, desde a Ășltima semana, absorventes gratuitos para a população em situação de vulnerabilidade social. Uma iniciativa que faz parte do Programa de Proteção e Promoção da SaĂșde e Dignidade Menstrual do governo federal e visa acabar com as dificuldades trazidas pela pobreza menstrual. Mais de 31 mil farmĂĄcias credenciadas em todo o Brasil estĂŁo aptas a distribuir o item de higiene ao pĂșblico que tem direito ao benefĂ­cio” diz a postagem no site do Gov.com sobre como ter acesso a absorventes gratuitos pelo SUS.


 3 Disponível em <https://pin.it/6zTY27qjq>






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Delboni, Carolina. MĂȘs da dignidade menstrual entenda por que o assunto Ă© importante. 2023. DisponĂ­vel em: <https://www.estadao.com.br/emais/carolina-delboni/mes-da-dignidade-menstrual-entenda-por-que-o-assunto-e-importante/>


Unicef. Dignidade menstrual. 2022. Disponível em: <https://www.unicef.org/brazil/historias/dignidade-menstrual-um-direito-urgente> 


Gov.br. saiba como ter acesso a absorventes gratuitos pelo sus. 2024. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/janeiro/saiba-como-ter-acesso-a-absorventes-gratuitos-pelo-sus> 




Lima, paola. O que Ă© pobreza menstrual e por que ela afasta estudantes das escolas. 2021. DisponĂ­vel em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2021/07/o-que-e-pobreza-menstrual-e-por-que-ela-afasta-estudantes-das-escolas>


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