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LGBTQIA+ na Ciência: para um futuro com mais representatividade



Neste dia, 28 de Junho, é comemorado o orgulho LGBT. Como toda minoria, a comunidade ainda é alvo de grandes preconceitos, sanções e segregação social. Na ciência não é diferente. São poucos os cientistas LGBT quando comparados aos números totais. Mas qual a importância da orientação sexual de alguém em seu trabalho como cientista? Aí que está… nenhuma! O afastamento da comunidade do ramo de STEM ocorre por motivos banais de forma a preservar a estrutura hierárquica da sociedade. O pior, os efeitos são radicais: pessoas LGBT são mais prováveis de sofrerem discriminação e segregação no ambiente de trabalho ou até já na contratação, gerando experiências de cunho extremamente negatico que, muitas vezes, levam o trabalhador a ter que se retirar do seu emprego. Porém, os cientistas LGBT existem. Pensando nisso, o JCB resolveu exaltar alguns destes nomes importantes em ambas as comunidades, científica e LGBT.


L - Sally Ride (texto por Julia Puppi)


Sally Kristen Ride nasceu no ano de 1951 e faleceu em 2012. Ficou conhecida por ser a primeira mulher norte-americana a alcançar o espaço em meio ao período conhecido como Corrida Espacial. Sally conseguiu orbitar a Terra em sua viagem com o ônibus espacial Challenger (”desafiador”), em 1983 pela NASA. Chegou a viajar pela segunda vez, em 1987, com, novamente, a Challenger. Em seguida, foi convocada para participar do estudo das causas da explosão do ônibus que a possibilitou ganhar a fama que tem e, assim, aposentou-se da carreira de astronauta. Porém, Ride continuou trabalhando e liderando projetos na NASA.

Sally também recebe outro título atualmente: primeira astronauta LGBT. Em uma carta aberta logo antes de falecer, Ride declarou que era Lésbica e já mantinha um relacionamento com a mulher de nome Tam O’Shaughnessy por quase 30 anos.

Muito é criticado pela comunidade LGBT hoje o peso que teria alguém ser obrigado, pelo bem de sua carreira e saúde, esconder até quase sua morte o fato de que estava apaixonado por alguém do mesmo gênero. A reação da sociedade foi perversa, pela forte homofobia da época, Sally foi alvo de críticas e questionamentos do mérito que havia ganho. Felizmente, este permaneceu, marcando uma vitória para a comunidade LGBT.



G - Alan Turing (texto por Beatriz Franco)


O matemático britânico Alan Turing, conhecido como Pai da Computação, nasceu em 1912 e faleceu em 1954. Na época de sua morte, o falecimento de Turing foi classificado como suicídio, porém cientistas concluíram que sua intoxicação foi desenvolvida por conta dos remédios que ele tomava para cumprir sua pena, que foi determinada após o criptógrafo assumir sua homossexualidade. Turing foi, em 1952, processado judicialmente por atos homossexuais, sendo condenado ao castigo desumano da castração química com dietilestilbestrol, em oposição à prisão.

Como principal contribuição de Alan Turing podemos citar os estudos realizados sobre códigos da computação, estes que tiveram grande relevância na história. Alan foi um dos responsáveis por localizar as tropas nazistas no dia 6 de julho de 1944 e, com isso, mais de 155 mil soldados aliados desembarcaram na Normandia (dia D).

Além disso, foi o pioneiro dos estudos sobre as Inteligências Artificiais (basicamente, ele iniciou o desenvolvimento da Siri, da Google Assistente e da Alexa) tendo como produto final um teste conhecido como Teste de Turing, no qual um humano seria capaz de conversar com uma máquina sem notar que se tratava de uma máquina e não de outro humano.

Em 2013, Turing recebeu o Perdão Real 59 anos após ter sido condenado, visto que a homossexualidade só se tornou legal no Reino Unido em 1967. Anteriormente, em 2012, onze cientistas, incluindo Stephen Hawking, solicitaram que o Perdão fosse concedido ao matemático, mas não foram atendidos pelas autoridades. Por fim, enfatizando a importância de seu legado nos dias de hoje, temos a existência da Lei de Turing (2017) que cancelou a condenação de todos os homens que foram perseguidos antes da nova legislação que proíbe atos homofóbicos.



B - Katie Mack (texto por Lara Chocolat)


Katie Mack, nascida em 1981, é uma cosmóloga teórica, cuja pesquisa investiga a matéria escura, época da reionização e o decaimento do vácuo. Como uma grande escritora de divulgação científica, Mack já contribuiu para publicações importantes como The Guardian, Scientific American, Cosmos, Time, entre outras. Atualmente, Katie tem o título de Professora Assistente de Física na North Carolina State University, onde ela também é membro do Leadership in Public Science Cluster.

Além de trabalhar com pesquisa, Mack é importantíssima na área da comunicação da ciência. Com mais de 415 mil seguidores no twitter, ela é uma das cientistas mais seguidas da rede social (@AstroKatie). Além disso, seu livro “The End of Everything (Astrophisically Speaking)”, sobre as diferentes maneiras como o universo pode acabar, recebeu o título de New York Times Notable Book!

Katie Mack esteve envolvida com a construção do detector de matéria escura (SABRE), foi escolhida como parte do juri para a Premiação de Pesquisa da Nature por Inspirar e Inovar na Ciência, e foi membro do juri do Alfred P. Sloan Prize no 2019 Sundance Film Festival. Além disso, a cientista recebeu o Discovery Early Career Researcher Award (DECRA) Fellow da Universidade de Melbourne. Se formou pelo Instituto de Pesquisa da Califórnia (CalTech) em 2003 e teve seu PhD em astrofísica na Universidade de Princeton em 2009. E mais legal ainda: Mack já foi referenciada pelo Hozier em sua música “No Plan”, no verso: “Como Mack explicou, voltará haver escuridão”!

Katie Mack, uma das cientistas mais importantes de sua área, é assumidamente bissexual. Ela está na lista “500 Queer Scientists” e tem uma importância enorme na comunidade LGBT por proporcionar tamanha representatividade dentro do âmbito acadêmico. Se você quer saber mais sobre essa pesquisadora, divulgadora, escritora e cientista genial, você pode encontrar informações sobre Katie e sua pesquisa em seu site: https://www.astrokatie.com/



T - Ben Barres (texto por Thomas Finger)


Para trazer a representatividade da comunidade transexual da ciência, traremos a impactante história do neurobiólogo Ben Barres. Este conseguiu superar desafios e quebrar barreiras do preconceito na ciência, conquistando posição de chefe de departamento da universidade de Stanford.

Sua história começa em 1954, quando ia pelo nome de Bárbara, em West Orange, Nova Jersey. Desde pequeno, já havia impressionado o mundo com sua inteligência, obtendo a chance de estudar em diversas das mais prestigiosas Universidades do mundo como MIT, Dartmouth, Harvard, Stanford, entre outras.

Quando ainda era estudante do MIT, Barres contava sobre diversos problemas que teve que superar, por ser mulher. Contou a história de quando havia superado diversos de seus colegas homens ao resolver uma questão matemática, mas não recebia reconhecimento. Até quando acabou perdendo uma bolsa de estudos para um homem cisgênero, com um currículo muito menos qualificado, nos mostrando como havia uma presente desigualdade de gênero na ciência.

Em 1997, Barres decidiu fazer um ato que revolucionou não apenas sua história, mas a de toda comunidade científica, fazendo uma cirurgia de readequação de gênero. O neurobiólogo, após sua cirurgia, passou a observar que muitas pessoas que não sabiam que ele era transexual, começaram a tratá-lo de maneira muito mais respeitosa ao apresentar suas pesquisas e resultados científicos.

"Quando decidi mudar de sexo 15 anos atrás, eu não tinha modelos para me guiar. Pensei que eu tinha que decidir entre identidade ou carreira. Eu mudei de sexo pensando que minha carreira poderia ter acabad ali. A alternativa que considerei seriamente na época foi o suicídio, pois não podia continuar como Barbara", diz o cientista.

Este, depois, teve uma contribuição tremenda para a pesquisa sobre células gliais, e suas importância que são utilizadas para diversas pesquisas na área de ciências neurais até o dia atual.

Infelizmente, em 2016 Barres foi diagnosticado com câncer de pâncreas, morrendo um ano depois, em dezembro de 2017. Portanto, como membros dos Jovens Cientistas Brasil somos eternamente gratos pela porta que Ben Barres abriu para maiores e melhores oportunidades na ciência para diversas pessoas que se identificam com ele, e para as próximas gerações a vir.





A ciência como forma de superar homofobia:


A normalização do “gostar do mesmo gênero”, contrária à homofobia, é explicada pelos ramos científicos. Um artigo publicado na revista Forbes aponta a pesquisa de Andrea Ganna, bióloga molecular. Ela começa seu estudo afirmando que ”a atração pelo mesmo gênero é simplesmente uma parte natural da manifestação da diversidade da nossa espécie. Por natural”, aponta, “significa que ser gay não é uma escolha”.

A pesquisadora desmente a criação de um “gene gay”, apontado, então, que a orientação sexual, seja heterossexual ou homossexual, não pode se vista como doença ou defeito.


Qual é a importância da representatividade?


Vamos começar pelo óbvio! A exaltação de pessoas LGBT no âmbito acadêmico evita situações gravíssimas de discriminação como o ocorrido com o cientista inglês Alan Turing. Além disso, é criado um ambiente muito mais acolhedor para os cientistas membros da comunidade LGBT, que se sentem infinitamente mais aceitos. Por meio da representatividade, também, muitos jovens LGBT são atraídos ao mundo da ciência!

Mas a representatividade LGBT na ciência vai além de atrair jovens da comunidade para o âmbito acadêmico e estimular cientistas a se assumirem! Para um jovem LGBT, a sensação causada ao se ver em uma pessoa que contribui para uma área tão importante quanto a ciência é inimaginável! Você passa a entender que ser diferente do convencional não é uma característica limitante.

Além disso, a representatividade LGBT propaga conhecimento histórico importantíssimo! Muitos cientistas com feitos extremamente relevantes fazem ou faziam parte da comunidade LGBT, mas essa parte de suas biografias é constantemente apagada. É por meio desse diálogo que lembramos de figuras icônicas no mundo acadêmico que tiveram uma parte de suas vidas aterrada!


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