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  • Foto do escritorAndré Hiroki

A situação da ozonosfera com 34 anos do Protocolo de Montreal

De acordo com a ONU, a expectativa é que a camada de ozônio se recupere até 2040 na maior parte do globo, com exceção apenas para os polos.


No dia 1º de janeiro de 2023, o Protocolo de Montreal completou 34 anos. Firmado em 1987 na cidade de Montreal, Canadá, esse tratado internacional entrou em vigor dois anos depois, estabelecendo a redução progressiva da produção e consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (SDOs) até sua total eliminação.


Para contextualizar


A camada de ozônio é uma concentração gasosa localizada na estratosfera (camada da atmosfera entre os 10 e 50 km de altitude) que atua como um escudo invisível, refletindo os raios ultravioleta do Sol. Portanto, sua destruição facilita a penetração dos raios e pode ser prejudicial à saúde dos humanos (Figura 1).


https://brasilescola.uol.com.br/geografia/camada-de-ozonio.htm
Figura 1 - Buracos na ozonosfera facilitam a passagem de radiação (Fonte: Brasil Escola).

Na década de 1980, quando o assunto sobre os buracos na camada de ozônio foi trazido à tona pelos cientistas, o quadro era de uma crise ambiental grave. Em certas áreas, observou-se a presença de buracos que se estendiam por milhões de quilômetros quadrados.


Na Antártica, uma observação da atmosfera feita pelos cientistas chocou o mundo: acima da baía de Halley, a camada de ozônio havia perdido um terço de sua espessura. Imediatamente, os profissionais da ciência foram instigados a descobrir qual era a causa de tudo isso e não demorou muito para a encontrarem. Em 1974, os cientistas Mario Molina e Sherwood Rowland haviam publicado um artigo detalhando os efeitos dos clorofluorcarbonetos (CFCs) no ozônio da estratosfera. Assim, foi fácil ligar os pontos e chegar à raiz da perturbação.


Apesar de serem comumente denominados “buracos”, as áreas referidas são, mais especificamente, regiões com menor presença de ozônio do que o normal, implicando numa maior incidência dos raios UV. Nos humanos, esse fenômeno pode influenciar casos de doenças como a catarata e o câncer de pele. Além disso, pode afetar gravemente a vida marinha com o aumento da temperatura da água. Nesse contexto, os CFCs, que até a década de 1970 eram imensamente utilizados em aerossóis, geladeiras, condicionadores de ar, etc. foram apontados como os principais agentes do problema.


Resumidamente, a exposição à radiação ultravioleta, que ocorre principalmente durante as estações quentes, separa o cloro do CFC, transformando-o em uma forma ativa. Isolado do resto da substância, o cloro reage com o ozônio (O3) da camada, "roubando" um dos átomos de oxigênio e transformando-o em gás oxigênio (O2) (Figura 2).


https://www.todamateria.com.br/buraco-na-camada-de-ozonio/
Figura 2 - Ciclo da reação de destruição da camada de ozônio (Fonte: Toda Matéria).

Ação internacional


Ciente da situação, um conjunto de nações preocupadas com o cenário atmosférico se reuniu em 1985 para formalizar uma solução ao problema. Dentre cinco medidas, a principal consistia na redução gradual do uso dos CFCs, dando origem ao Protocolo de Montreal. Além dos CFCs, outras substâncias que foram banidas por emendas posteriores são os halógenos, o clorofórmio metílico, o tetracloreto de carbono e os hidroclorofluorcarbonetos (HCFCs).


Atualmente, o protocolo possui adoção universal e é considerado um dos tratados internacionais mais bem-sucedidos da história, com 197 Estados Partes. Em 2010, os clorofluorcarbonetos já haviam sido quase completamente substituídos na indústria global e restava à humanidade apenas aguardar a recuperação natural da ozonosfera.


Boas novidades


De acordo com o último dos relatórios periódicos de fiscalização do Protocolo de Montreal, houve uma eliminação de quase 99% das substâncias proibidas que destroem a camada de ozônio. Estimadamente, se as políticas atuais forem continuadas, a espessura apresentada em 1980 poderá ser recuperada até 2040. As exceções ocorrem nos polos, que sofrem pelo processo de quebra do ozônio de forma mais intensa. O prazo é de 2045 para o Ártico e 2066 para a Antártica (Figura 3).


https://www.nasa.gov/esnt/2022/ozone-hole-continues-shrinking-in-2022-nasa-and-noaa-scientists-say
Figura 3 - Buraco sobre a Antártica (Fonte: NASA).

Fora isso, os cientistas preveem que o aquecimento global também será beneficiado com as ações para recuperar a camada de ozônio, já que os HCFCs também são poderosos gases estufa. "Ao proteger as plantas da radiação ultravioleta, permitindo que vivam e armazenem carbono, o tratado evitou até 1°C extra de aquecimento global", observou o secretário-geral da ONU, António Guterres.


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