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  • Foto do escritorCaio Nicolas

Por que não se deve utilizar antibióticos sem prescrição médica?

Os antibióticos são medicamentos usados para combater infecções causadas por bactérias, impedindo que elas se multipliquem. Ao entrar em contato indevido com antibióticos, as bactérias sofrem alterações genéticas e ficam capazes de resistir aos efeitos do medicamento. 


No Brasil se estabeleceu a cultura de utilizar medicamentos antibacterianos na presença de qualquer sintoma de uma possível infecção, consequentemente, usa-se antibióticos em problemas não ocasionados por bactérias, o que pode fazer com que os microrganismos comuns presentes no corpo humano, se tornem resistentes ao medicamento. 


Figura 1: Antibióticos


Desde 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regula a venda de antibióticos por meio da Resolução RDC 44, sendo permitida apenas com a apresentação de receita médica. Essa medida foi implementada com o objetivo de minimizar a elevação da resistência bacteriana no país. No entanto, mesmo com a regulamentação em vigor, muitos estabelecimentos farmacêuticos mantêm a venda sem a necessidade de apresentar a receita médica. Essa prática representa não apenas uma violação de normas estabelecidas pela Anvisa, mas também uma ameaça à saúde pública, pois contribui para o surgimento de bactérias resistentes. 


Se o avanço de bactérias resistentes não for interrompido, em um futuro próximo, o Brasil enfrentará um cenário de extrema preocupação na área da saúde, pois a maioria dos antibióticos utilizados atualmente não serão o suficiente para impedir o crescimento de complicações geradas por microrganismos.


A disponibilidade fácil de antibióticos sem receita nas farmácias, em muitos casos leva a uma utilização inadequada, baseada em avaliações imprecisas do próprio indivíduo. Isso não apenas contribui para a resistência bacteriana, mas também coloca os indivíduos em risco de ter efeitos colaterais adversos, que variam desde problemas no estômago e intestino até reações alérgicas mais graves. 


Figura 2: Antibióticos na farmácia


O tratamento antibiótico deve ser planejado por médicos com base na dose adequada, frequência e duração do medicamento em cada caso, ajudando a acabar com a infecção. Usar antibióticos de maneira errada, como parar o tratamento antes do tempo, facilita o surgimento de bactérias resistentes no corpo e em uma infecção futura, podem não fazer mais efeito. 


Completar todo o ciclo de medicamentos, estabelecido pelo médico, assegura que as causadoras da infecção foram eliminadas, prevenindo problemas futuros e garantindo uma recuperação completa. Pular doses ou parar o tratamento antes do recomendado pode prejudicar a eficácia. É importante utilizar antibióticos apenas quando recomendado por profissionais da saúde e seguir as instruções médicas corretas ao usá-los, prevenindo uma possível resistência. 



Figura 3: Bactérias resistentes


Essas situações destacam a necessidade de uma fiscalização mais eficaz e de medidas mais rigorosas para garantir que as farmácias sigam as regulamentações existentes. A conscientização da população sobre os perigos da automedicação com antibióticos e o reforço da responsabilidade dos profissionais de saúde e farmacêuticos na orientação adequada aos pacientes também são elementos essenciais para combater essa prática persistente. 


Não se deve utilizar antibióticos sem prescrição médica. Na presença qualquer de um sintoma, procure um hospital próximo e consulte-se com um profissional. Se o problema for realmente bacteriano, siga a receita médica, respeitando as doses e tempo de uso recomendado. Não use por mais, nem menos tempo, não contribua para o aumento da resistência bacteriana. 


Referências bibliográficas


ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Novas regras para a prescrição e venda de antibióticos. São Paulo, 2010. 


DE OLIVEIRA, Antonio Otávio T. et al. Atenção farmacêutica na antibiótico terapia. Visão acadêmica, v. 5, n. 1, p. 7-14, 2004. 


PAIM, Roberta Soldatelli Pagno; LORENZINI, Elisiane. Estratégias para prevenção da resistência bacteriana: contribuições para a segurança do paciente. Revista Cuidarte, v. 5, n. 2, p. 757-764, 2014 


RODRIGUES, Tatyanne Silva et al. Resistência bacteriana a antibióticos na Unidade de Terapia Intensiva: revisão integrativa. Revista Prevenção de Infecção e Saúde, v. 4, 2018.




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