top of page
  • Foto do escritorBeatriz Franco

Do Big Bang ao Big Rip

O início de tudo ainda é desconhecido, mas existem boas teorias que podem explicar como o Universo começou e, consequentemente, como ele funciona atualmente. O Big Bang é a teoria mais aceita hoje para explicar a origem do Universo. Resumidamente, a teoria postula sobre uma grande explosão que ocasionou uma expansão que é vigente até os dias de hoje. Toda a matéria existente estava armazenada em um local que é bilhões de vezes menor do que um núcleo atômico, até que um fator ainda não decifrado gerou a explosão descrita. O que originou o Big Bang continua sendo uma das grandes questões que os cientistas anseiam responder. Entretanto, tudo tem um começo, um meio e um fim. Diante dessa afirmação, outra pergunta surgiu: “Como tudo irá acabar?”. Existem diversas teorias que procuram explicar o fim do Universo, mas, neste artigo, apenas uma tese será abordada: o Big Rip.



BIG RIP


A história de como essa teoria foi formada é curiosa. Em 2014, um brasileiro apresentou, na Universidade de Vanderbilt, uma solução lógica para a Equação de Lichnerowicz. Essa equação trata do comportamento de fluidos viscosos viajando a velocidades relativísticas. A viscosidade, atribuída aos líquidos, indica a capacidade que determinado composto tem de fluir. Além disso, tal atributo está relacionado à força atrito que as moléculas de um fluído podem exercer uma sobre as outras: a viscosidade é uma resistência para que o atrito interno se manifeste. Assim, descreve-se essa propriedade que, por sua vez, auxilia na compreensão dos fluídos viscosos.



Retornando para a história do brasileiro Marcelo Disconzi… ao término de sua apresentação, dois professores de Física (Thomas Kephart e Robert Scherrer) da universidade elogiaram o trabalho e perguntaram se ele havia pensado em alguma aplicação dessa solução matemática na cosmologia. O principal questionamento dos físicos foi: “Será que a viscosidade poderia impactar o Universo de alguma forma?”. Essa dúvida foi o gatilho para explicar uma das teorias do Fim do Universo: o Big Rip, que não é nada mais do que um Big Bang ao contrário. É importante pontuar que a teoria já existe desde 2003, só que todas as tentativas de determinar uma data para que o evento ocorra foram falhas, até a solução proposta por Disconzi, Kephart e Scherrer. Outros cientistas que estudaram anteriormente esse fenômeno caminhavam para um campo de estudo dos fluídos viscosos e da energia escura (elemento responsável pela aceleração do Universo), só que para que o “rasgo” acontecer, essa matéria precisa estar viajando a uma velocidade próxima à da luz (299.792.458 m/s).

O Big Rip sugere que daqui a 22,8 bilhões de anos o nosso Universo estará extremamente acelerado e disperso, com isso tudo que se conhece hoje (Galáxias, Planetas, Sistemas Solares, Estrelas) irá se desintegrar.



A EQUAÇÃO DE LICHNEROWICZ


Porém… como a Equação de Lichnerowicz se relaciona com o Universo? Pense em uma vasilha com água. Sabe-se que a água é constituída por moléculas e que, ao pensar microscopicamente, existem regiões com mais matéria (onde as moléculas estão localizadas) e regiões com menos matéria (espaço entre os compostos); mas, no dia a dia, observa-se a água como homogêneo. Imagine que a vasilha é o Universo, a água é a energia e as galáxias são as moléculas, como isso, pode-se determinar o Universo a partir de uma distribuição homogênea entre energia e matéria. Segundo Disconzi, deve-se perceber que essa distribuição se comporta como se fosse um fluido enchendo o Universo, isso explica o porquê ele está em expansão acelerada (visto que os corpos celestes irão expelir mais energia, aumentando a viscosidade do Universo). Em uma realidade na qual a energia é distribuída e a viscosidade do Universo aumenta, uma pressão negativa é gerada na Teoria da Relatividade, elaborada por Albert Einstein em 1915. Essa pressão gerará um efeito que produzirá uma força oposta à força gravitacional. Dessa forma, as galáxias irão se separar, e os planetas ficarão distantes um dos outros.





Dedico esse artigo à Julia Puppi, obrigada por me acompanhar durante a minha trajetória nesse Universo tão gigante e em expansão.



bottom of page