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  • Foto do escritorLívia Meneses

Um Futuro Sustentável: Como a Quitosana Está Transformando a Agricultura

Nos últimos anos, a utilização de agrotóxicos em plantações vem sendo um dos assuntos mais comentados nas áreas da causa socioambiental e da saúde por causar uma série de impactos na natureza e para os seres humanos. Sendo assim, é evidente que o uso de pesticidas, que vem se tornando cada vez mais excessivo, se tornou algo nocivo para os ecossistemas do planeta e para a própria sociedade. E isso não é à toa…


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) são registradas mais de 20 mil mortes por ano devido ao consumo de agrotóxicos presentes tanto em alimentos, quanto em águas contaminadas. Além disso, o Brasil ainda vem sendo o país com maior consumo de produtos que entraram em contato com essas substâncias desde 2008, decorrente da grande relevância do agronegócio no setor econômico. Por fim, ainda podemos observar o espantoso crescimento da utilização de pesticidas no país durante os anos (Figura 1).


Figura 1:  Gráfico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apresentando crescimento do total de agrotóxicos registrados por ano no Brasil desde 2005


Ademais, é importante ressaltar os danos que esses fitossanitários geram ao meio ambiente (contribuindo inclusive consideravelmente com o efeito estufa), como a contaminação de rios e lagos próximos às plantações, que pode acarretar na morte de animais, e solos, causando a perda de nutrientes da terra e dificultando o crescimento de diversas plantas, como as leguminosas. Simultaneamente, também ocorre a contaminação por volatilização, que afeta o ar, solo e plantas que estão há quilômetros do local contaminado primariamente.


Diante disso, diversas pesquisas na área buscam substitutos sustentáveis, que gerem impactos positivos ao meio ambiente sem danos à saúde humana, para esses produtos. Um dos agentes que vem se mostrando muito promissor para essa tarefa é a quitosana. 


Mas o que é a quitosana e como ela pode ser utilizada para um avanço sustentável na agricultura?


A quitosana (Figura 2) é um polissacarídeo natural (uma macromolécula formada pela união de muitas moléculas de açúcar simples, chamadas de monossacarídeos) derivado da quitina, um componente encontrado nos exoesqueletos de crustáceos, insetos, artrópodes, e na parede celular de alguns fungos. As principais propriedades deste polímero são: biocompatibilidade (capacidade de um material ser conviver em um corpo sem causar danos), biodegradabilidade (material que pode ser decomposto por organismos vivos e transformado em composto naturais), baixa toxicidade (material ou substância que causa danos mínimos ou nenhum à saúde ou ao meio ambiente) , alta bioatividade (substância ou material que tem a capacidade de interagir eficientemente com sistemas biológicos, geralmente com potencial terapêutico ou biofuncional significativo) e atividade antimicrobiana (capacidade de um material de combater microrganismos prejudiciais). 


Ou seja, comparada aos agrotóxicos e fitossanitários, que são tóxicos para organismos vivos (o que inclui insetos e plantas), geram acumulação em tecidos de organismos (causando concentrações altíssimas que provoca riscos para a saúde animal e humana) e podem até mesmo interferir no crescimento das próprias plantas quando agem na exterminação das pragas, a quitosana é sem dúvidas a melhor opção para a substituição desses químicos.


Figura 2: Estrutura química da quitosana (comum em polissacarídeos, pois possuem várias ramificações).


No contexto da agricultura, diversos estudos buscam demonstrar a eficiência da quitosana no controle de pragas durante os períodos de plantio e colheita, ao comparada aos pesticidas. Devido à sua composição química, foi comprovado que ela não apenas possui ação antifúngica e antibacteriana, mas também mantém o solo saudável, podendo promover aumento no crescimento vegetativo e reprodutivo em algumas plantas. Além disso, o polímero afeta a transpiração das plantas e pode diminuir o consumo de água, principalmente na agricultura irrigada.


Outra aplicação recente da quitosana é na produção laboratorial de bioplásticos com base de gelatina (Figura 3), pois, após seu descarte, pode servir de nutriente para o solo, evitando a geração de mais lixo e poluição vinda do plástico comum, que demora mais de 400 anos para se decompor na natureza. Nesse mesmo sentido, devido à sua capacidade de se transformar em gel e filme, ela pode ser aplicada nas embalagens de frutas e verduras como um biofilme para aumentar o tempo desses produtos nas prateleiras, diminuindo o desperdício de alimentos.


Figura 3: Produtos biopláticos laboratoriais feitos a partir de cascas de camarão e gelatina incolor. Da esquerda para a direita: porta-copos e marca-páginas.


Por fim, apesar de ainda estar em fase de estudo, a quitosana vem mostrando grande potencial em relação à agricultura e à sustentabilidade. Ela apresenta excelentes propriedades e diversas aplicações benéficas, como em plantações, nos alimentos em sua fase de venda e em produtos que podem substituir o plástico comum. Desse modo, podemos perceber que a quitosana gera a esperança de que os agrotóxicos poderão extinguir-se do meio agrícola e, consequentemente, terá um impacto positivo significativo nos ecossistemas do planeta.


Referências Bibliográficas


Agrotóxico: saiba o cenário brasileiro. Disponível em: <https://agronegocio.insumoagricola.com.br/saiba-sobre-o-cenario-de-agrotoxicos-no-brasil/>.


R. RAMOS BERGER, L.; CH. MONTENEGRO STAMFORD, T.; PEREIRA STAMFORD, N. PERSPECTIVAS PARA O USO DA QUITOSANA NA AGRICULTURA. Universidade Federal Rural de Pernambuco: [s.n.].


CABRAL DE ALCANTARA, S. R. Utilização de Quitosana como Biocida na Agricultura em Substituição aos Agrotóxicos. Universidade Federal da Paraíba: [s.n.].



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