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  • Foto do escritorKatrina J. Davis

O núcleo da Terra freou, e agora?

Os artigos científicos, publicados em periódicos científicos, apresentam importância significativa para divulgação de pesquisas recentes e atuam como meio de informação ao público - é importante considerar, no entanto, que ciência é um tópico difícil e sensível, e todas as informações já publicadas continuam em processos de aprofundamento e análises. Há pouco tempo, o lançamento de um estudo revelou dados impressionantes que andam surpreendendo o mundo inteiro. De acordo com cientistas do jornal Nature Geoscience, o movimento do núcleo interno da Terra gira mais devagar (e pode ter parado) desde 2009 - mas a mudança só foi confirmada recentemente.


Primeiramente, é preciso entender que a Terra é formada por camadas, sendo elas a crosta terrestre, o manto e o núcleo. A camada mais externa se refere à crosta, - onde os seres humanos se situam - que apresenta a menor espessura, entre 8-40 km. Já o manto, a camada intermediária, é também a mais profunda, sendo dividida em manto superior e inferior - um em estado pastoso, e outro em líquido, respectivamente. Por fim, o núcleo, a camada mais interna, composto por uma região líquida (externa) e uma sólida (interna), é a zona em questão deste artigo.



Dessa forma, é importante ressaltar que o núcleo é a camada menos conhecida pelos pesquisadores por conta da sua dificuldade de exploração. Como características principais, menciona-se a sua composição mineral de ferro e níquel e sua influência no magnetismo terrestre - onde, basicamente, tais minerais entram em atrito por conta da movimentação do núcleo, energizando seus íons e formando o campo magnético. Diante de todas essas particularidades, é pressuposto, pela comunidade científica, que o núcleo apresenta uma aceleração diferente da velocidade de rotação da Terra.


De acordo com um estudo publicado pelo cientista Yi Yang juntamente ao professor Xiaodong Song, ambos da Universidade de Pequim, na China, as suas análises de ondas sísmicas de terremotos, que ocorreram no núcleo terrestre (datadas desde 1960 até os dias atuais), possibilitaram a eles avaliar o movimento do local. Segundo os pesquisadores, os registros sísmicos a partir de 2009 mostram pouca alteração ao longo do tempo - sugerindo que a movimentação cessou, ou que pode estar passando por um retrocesso.


Mais especificamente, os cientistas analisaram ondas sísmicas repetidas de 1990 e compararam-nas com a atividade da última década, exibindo pouca mudança. Juntamente, eles contrastam os padrões recentes do núcleo com as ondas sísmicas do Alasca (Polo norte) e das Ilhas Sandwich do Sul (Polo sul), desde 1964, e constataram que o ciclo (oscilação) do núcleo interno da Terra ocorre a cada sete décadas. Em suma, eles afirmaram que essa periodicidade de muitos anos coincide com diversos outros aspectos geofísicos (como a duração do dia e o magnetismo terrestre), e que essas observações fornecem evidências de interações entre as camadas da Terra, proveniente da mudança do momento angular - ou seja, a quantidade de movimento da rotação - do núcleo e do manto para a superfície.


Em contrapartida, diversos outros pesquisadores afirmam que o núcleo terrestre nunca vai descontinuar seu movimento e nem entrar em movimento retrógrado. Argumentando-se contrariamente aos resultados do estudo mencionado, o sismólogo da Universidade do Sul da Califórnia, John Vindale, diz que faltam evidências que provam essa mudança, e que não se pode ter certeza dessas atividades no núcleo, visto que há um debate constante entre especialistas que afirmam que o movimento da camada está acelerando, desacelerando e até mesmo parando em relação à rotação do manto. Ele também afirma que o núcleo da Terra ter invertido e começado a girar na direção oposta é um evento que definitivamente não está acontecendo.


Sob o mesmo ponto de vista, o geofísico da Universidade Nacional Australiana, Hrvoje Tkalcic, disse que o movimento não cessa completamente, e que as descobertas dos estudos de Yang e Song mostram apenas que o núcleo interno e o planeta Terra estão em movimentos isócronos - isto é, a movimentação dos dois é ordenada, ocorre em intervalos de tempo iguais - oscilando ao que costumava acontecer há uma década atrás, quando o deslocamento era mais rápido internamente.


Levando em consideração todos os aspectos apresentados, pode-se concluir que a forma com que o núcleo gira pode acarretar mudanças em aspectos geofísicos da Terra, como a duração dos dias, a temperatura média e o nível dos mares. De acordo com o professor Xiaodong Song, os dias vão ficar mais curtos, nem que seja por uma alteração de algumas frações de segundo em um dia completo. Por fim, também foi constatado que, como o campo magnético terrestre impacta o nível dos mares, tanto pela mudança do movimento das ondas quanto pela influência em como as correntes marítimas circulam e impacto nas temperaturas, dado que o campo magnético protege a Terra de ventos solares, pode-se prever mudanças em ambos elementos, proximamente. Resta, portanto, aguardar mais pesquisas a serem feitas e observar os possíveis efeitos que a alteração na movimentação do núcleo vai ocasionar.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


1- O artigo (Nature Geoscience)


2- National Geographic explica


3- CNN explica


4- O núcleo não parou?


5- Explicação sobre o magnetismo


6- Explicação sobre as particularidades do núcleo terrestre


7- Como funcionam as camadas geográficas da Terra?


8- Consequências


9- Créditos da imagem


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