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  • Fernando Chen

O Movimento #StopWillow

O Despertar de uma consciência coletiva virtual


No primeiro semestre de 2023, segunda-feira dia 13 de março, o presidente dos Estados Unidos Joe Biden aprovou o Projeto Willow, plano de investimento de US$ 8 bilhões para exploração energética de petróleo e gás no Distrito de North Slope, Alasca. O plano de extração bilionário da ConocoPhillips, nos mais de 10 milhões de hectares da Reserva Nacional de Petróleo do Alasca (NPR-A), teria sido autorizado com o fim de gerar maior independência de petróleo dos EUA, principal país importador do produto. Adicionalmente, entende-se que a medida tomada pelo Executivo americano de retardar a transição de combustíveis poluentes para fontes limpas de energia foi fortemente pressionada pelos lobbies do petróleo ¹.


Manifestantes contra o Projeto Willow em frente a Casa Branca, na capital Washington.


O aval do presidente Biden diante da proposta de exploração despertou tanto manifestações públicas nas ruas da capital, quanto respostas acaloradas de internautas, ambos pedindo o impedimento do projeto.


No maior endereço de petições online do mundo, o web site change.org - já responsável por influenciar decisões nos mais importantes âmbitos, mais recentemente, a Declaração Universal de Direitos do Sobrevivente (da ONU), Justiça por George Floyd e expulsão do Irã da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (da ONU), o abaixo assinado requisitando o fim do Projeto Willow se tornou a 5ª maior petição do site, superando as 5,1 milhões de assinaturas (26/05/23).


A petição pleiteando o término do plano Willow no endereço change.org superou a de clemência por Rogel Lazaro Aguilera-Mederos, tornando-se a de quinta maior aderência do site.



As hashtags #stopwillow e #stopwillowproject já contam com mais de 700 milhões de visualizações no TikTok.


O movimento online, em especial, ganhou notável relevância nas redes sociais. Plataformas como TikTok, Instagram e Twitter tornaram-se um canal de comunicação principalmente de jovens ativistas ambientais que discutem, em suas publicações, as possíveis consequências caso o Projeto Willow seja iniciado. Destas, são de destaque: a geração de imenso volume de dióxido de carbono, nominalmente chamada de “bomba de carbono” e a contaminação dos arredores, prejudicando a natureza e os povos vizinhos.


Além disso, é também marcante a presença de clipes de edição de vídeo que abordam o tema sob a mesma hashtag. Tais produções costumam apresentar fotos de paisagens e animais que seriam possivelmente impactados pela condução do projeto, sendo muitas postagens de teor fatalista - que, por vez aprovada a perfuração de petróleo, essa seria a derrota final do combate contra as mudanças climáticas.


Publicada no dia 14 de março, a edição do usuário uppa..blues é o vídeo mais visto da hashtag #stopwillow, com mais de 22,2 milhões de visualizações.


O ultimato do presidente Biden gerou a maior campanha online de protesto contra a aprovação de um projeto petrolífero já decorrida. Isso se deve em razão da resolução do chefe da Casa Branca ir contra as promessas que fez em sua campanha política das eleições de 2020.


Quando concorria à presidência, Biden afirmou:


“My time table for results is my first four years as president, the jobs that we’ll create, the investments we’ll make, and the irreversible steps we’ll take to mitigate and adapt to the climate change and put our nation on the road to net zero emissions no later than 2050.” ²


“Meu cronograma para resultados é dado dentro dos meus primeiros quatro anos como presidente, durante os quais criaremos empregos, faremos investimentos e tomaremos medidas irreversíveis para mitigar e nos adaptar às mudanças climáticas, colocando nossa nação no caminho das emissões líquidas zero, até o mais tardar 2050.”

(Traduzido usando ChatGPT)


Não somente, mas o líder também prometeu, em seu planejamento de governo, estabelecer um setor energético livre de carbono poluente até 2035. ³


No entanto, é inegável que, se houver o prosseguimento para a extração por parte da empresa privada ConocoPhillips, as promessas que visavam atingir os objetivos organizados internacionalmente pelo Acordo de Paris (2015) não poderão ser cumpridas. Isso, pois é previsto que o período de duração da iniciativa Willow seja ao redor de 30 anos uma vez começado. Estimativas apontam que a produção varie em torno de 180.000 a 200.000 barris de petróleo por dia, resultando em um balanço final de até 600 milhões de barris a mais na superfície (equivalente a emissão de 278 milhões de toneladas de CO2). ⁴


Anterior ao julgamento de Biden, vários influenciadores do TikTok tentaram intervir na tomada de decisão do presidente estadunidense, fazendo crescer o fenômeno nomeado “Stop Willow” na mídia.



Da esquerda para a direita, os influenciadores Elise Joshi, Alex Haraus e Alaina Wood manifestando suas preocupações caso houvesse a aprovação do Projeto Willow.


Em seus vídeos sobre o tema, que somam mais de 10 milhões de visualizações, a celebridade digital e bacharel em Estudos Ambientais e de Sustentabilidade pela DePaul University, Alex Haraus, surpreendeu-se positivamente com a quantidade de pessoas que aderiram à causa.


"O clima não tem seu momento de viralidade com frequência."


Em suas palavras:


"Milhares de outras pessoas estão criando conteúdo sobre isso. Não é apenas uma pessoa específica. São tantas pessoas com tantos históricos diferentes, porque todos se sentem empoderados para falar sobre isso."


A cientista, ativista ambiental e influenciadora do TikTok Alaina Wood também não esperava que a situação se tornasse tão popular na Internet.


"Eu tenho trabalhado nisso há muito tempo, e é muito raro ver uma questão climática se tornar viral."


Instituições ambientalistas como o GreenPeace também se manifestaram sobre o assunto, gerando grande engajamento no Twitter.


Contudo, o discurso em uníssono que se espalhou nas redes sociais não encontrou consenso nas opiniões dos grupos indígenas que vivem no Distrito de North Slope. Dentre eles, muitos são a favor do projeto, defendendo que este ofereceria recursos financeiros para a região, ajudando a manter escolas e serviços de saúde.


O líder da Voice of the Arctic Iñupiat, associação de 24 comunidades indígenas locais, acredita que o potencial benéfico para a população nativa supera os impactos negativos do Willow. Em entrevista à emissora americana CNN, Nagruk Harcharek se posicionou:


"O Projeto Willow apresenta uma oportunidade de continuar o investimento nas comunidades."


"Sem esse dinheiro e fluxo de receita, estamos dependentes do estado e do governo federal."


Por outro lado, tribos que vivem mais perto do local em que haveria a construção das bombas de óleo e gás, como a Vila Nativa de Nuiqsut, demonstraram preocupação quanto às consequências ambientais da extração de petróleo. Em outra entrevista ao portal de notícias CNN, Siqiniq Maupin, diretor de um grupo indígena ativista pela conservação, mostrou-se extremamente contrário à execução do Projeto Willow.


"Planejamos fazer tudo ao nosso alcance para impedir que a ConocoPhillips faça a construção em Nuiqsut neste inverno."


"[Caso o projeto seja aprovado] Vamos continuar lutando por meios legais e por ações diretas."


Por fim, apesar dos enormes protestos que ocorreram nas plataformas digitais, o Projeto Willow, que, em agosto de 2021, havia sido barrado por um juiz federal pelas preocupações ambientais, ganhou, no dia 13 de março de 2023, a sua aprovação por parte da administração de Biden.


Campo de perfuração teste na região de construção do Projeto Willow no Distrito de North Slope, Alasca.


"Essa foi a decisão correta para o Alasca e para nossa nação"

“Willow está alinhado com as prioridades da administração Biden em relação à justiça ambiental e social, facilitando a transição energética e fortalecendo nossa segurança energética, ao mesmo tempo em que cria bons empregos e proporciona benefícios às comunidades nativas do Alasca." ⁵


  • Ryan Lance, Presidente e Diretor Executivo da ConocoPhillips.


"A aprovação do projeto pela administração Biden não faz sentido para a saúde do Ártico ou do planeta, e ocorre após inúmeros pedidos das comunidades locais por consulta das tribos e reconhecimento real dos impactos na terra, na água, nos animais e nas pessoas." ⁶


  • Siqiniq Maupin, Diretor Executivo do Sovereign Iñupiat for a Living Arctic.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS








MATERIAL BIBLIOGRÁFICO


IMAGENS


Manifestantes em frente à Casa Branca.


Ativistas ambientais no TikTok.


Região de exploração de petróleo, Distrito de North Slope, Alasca.










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