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Neuroplasticidade Digital: O Impacto das Timelines na Formação do Pensamento Crítico de Crianças e Adolescentes

  • Heloise Sophia Bezerra da Silva Maximiano
  • há 32 minutos
  • 4 min de leitura

Sabe quando acabamos entrando em uma discussão nos comentários do TikTok? “Ela excluiu as amigas dela!” ou “Ela pediu para seguir o instagram do namorado da melhor amiga!”. Mas você já parou para pensar sobre o porquê de defendermos esse lado? Será que você teria essa opinião independentemente das circunstâncias, ou foi o vídeo que apresenta os “fatos" por trás da briga, que influenciou você primeiro? Essa definição de “lado” é o pensamento crítico. Você sabia que um vídeo de 1 minuto pode interferir mais na nossa opinião do que uma aula presencial com Nicolau Maquiavel?  


O que é pensamento crítico na prática? 


Podemos definir o pensamento crítico em uma frase: avaliar criticamente a informação, identificar fontes confiáveis e construir argumentos baseados em evidências. A partir dessa definição, você poderia pensar: “Eu mal vou usar isso na vida.” 

E é aí que você, em conjunto com a maior parte dos jovens, se engana. De acordo com pesquisas, o Barômetro Edelman aponta para um “buraco global da confiança” e revela uma conexão alarmante entre o excesso de informações e a tomada de decisões diárias. Além disso, outros estudos indicam que essa confiança também está fortemente influenciada por motivações políticas e ideológicas. Ou seja, o pensamento crítico não interfere apenas na foto que será postada no feed. Ele é importante para a nossa saúde, segurança e educação. Mesmo uma necessidade tão essencial como essa pode ser facilmente manipulada.



Como funciona a mente do público infanto-juvenil? 


“Hoje, na escola, ouvimos falar de dopamina, o hormônio da recompensa. É por conta dele que as crianças ficam viciadas.” Essa frase foi proferida por uma criança de 11 anos que, de acordo com relatos, jogava Mario Kart no sofá da sala. Se digitarmos no Google a palavra “dopamina”, vamos ler as clássicas afirmações: “é o hormônio que destrói o cérebro das crianças” ou “saiba como proteger seus filhos do perigo que a dopamina atrai.” Sabe o que essas frases têm em comum? Elas são frequentemente encontradas nos stories de “desinfluenciadores”, que utilizam metodologias falhas e deturpadas para explicar o que ocorre no cérebro em formação. 



“Entendi que existem muitas fake news sobre a dopamina, mas o que ela faz?”. Esse hormônio atua mais como uma recompensa do que como uma “instigação” natural. Estudos aprofundados apontam que, distribuir dopamina para o neurônio não causa muito caos no sistema límbico. Todavia, caso esse mesmo neurônio já esteja “alerta”, ela pode fazer muita questão de desregular essas indefesas células nervosas. Dependendo de onde ela seja dissipada, dentro e fora do cérebro, pode provocar diferentes consequências, como: pressão alta, problemas gastrointestinais, problemas à função cognitiva e à coordenação motora. E, finalmente, quando entregue a uma região chamada núcleo accumbens, a dopamina modula a recompensa e o humor. O cérebro de crianças e adolescentes está em pleno desenvolvimento e, por isso, é super aberto a aprender coisas novas. No entanto, pode ser facilmente influenciado, principalmente pela exposição desenfreada da dopamina. Como a parte do cérebro responsável por pensar com calma, questionar e tomar decisões ainda está amadurecendo, é comum que eles absorvam informações mais pela emoção do que pela lógica. Um vídeo rápido, uma frase impactante ou uma história bem contada podem “marcar como brasa” na memória dos jovens quando comparadas com horas de explicação. E com tanta informação circulando na internet, fica fácil formar uma opinião sem nem perceber. “E o que a minha timeline têm em comum com essa explicação?”. É simples: os influenciadores sabem disso.



Por que é importante estudar esse tema agora? 


Nos dias de hoje, vivemos em uma corda bamba da informação quando se trata de infância e adolescência. Alguns dizem que, ao tentar entender o nosso cérebro, estaríamos sendo “curiosos” ou que “quem procura, não aproveita”. Mas o que seria aproveitar? Ao contrário de uma grande massa que vem crescendo na internet, é de extrema importância buscarmos compreender o que está acontecendo no meio digital, e o principal, como se precaver. Estudar sobre a influência que sofremos é algo imprescindível, principalmente na atualidade. Não basear nossa opinião em um famoso vestindo roupas brancas, lendo um script feito por advogados e uma equipe de marketing bem preparada. E sim buscar a veracidade dessas informações que nos são apresentadas. Com o entendimento, os jovens afetam positivamente o mundo. Tudo começa ao não cair em uma thumbnail no Youtube Kids. Depois, conseguimos perceber se o discurso daquele político é realmente condizente com seus atos.  


Como 1 minuto pode definir o que penso? A culpa é minha ou do meu cérebro? 


Muitos métodos são utilizados para manter os jovens “centrados”. Para alcançar o objetivo final: apoiadores, os mestres do marketing podem confinar as pessoas em “bolhas de filtragem”. Palavras de afirmação, promessas irreais, vidas perfeitas, isso são exemplos de jogadas de marketing utilizadas nas timelines. Elas reforçam ideias pré-estabelecidas, onde o influenciado apenas precisa permanecer 1 minuto consumindo as informações, tempo suficiente para mais uma vítima. É algo que viola a privacidade dos usuários e ameaça às liberdades  fundamentais, ao usar “pegadas digitais” para finalidades que estão fora do controle das crianças e adolescentes. A Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) é um recurso utilizado pelas marcas e influenciadores digitais no mundo contemporâneo. Em que os meios de comunicação, principalmente as redes digitais, sofrem ameaças ao pensamento individual de  todos os lados, por regimes tanto conservadores quanto liberais. Não podemos culpar o nosso cérebro por isso, mas ele não está totalmente ileso.



Conclusão


A nova geração não precisa se acostumar a ser enganada ou influenciada por um mero aplicativo, ou notícia. O pensamento crítico individual não deve ser baseado em falas manipuladoras ou timelines programadas. De pouco em pouco, podemos transformar o mundo em um local mais honesto de se viver, onde poderemos abrir as redes sociais sem se preocupar com as informações que deturpam nossas opiniões. Porém, isso só será possível caso abrirmos as portas para o conhecimento. 


Referências Bibliográficas 

[1] UNESCO Mídia: operação descontaminação - UNESCO Digital Library 

[2] The Conversation Análise: Resposta para crise de confiança da população na ciência passa pelo ensino do pensamento crítico 

[3] BrainFacts.org As recompensas da complexidade da dopamina 


Referências Visuais 

[1] R.027ea85e5bd1adb9ab7acd71927bb33b (279×259) 

[2] Pin em 2025 

[3] múltiples-conexiones-neurales.jpg (1920×1329) 

[4] Pin em 만화외


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