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  • Foto do escritorCecília Helena Gurgel

Katherine Johnson: Além dos limites da Terra

Hoje em dia, já se sabe que o homem pisou na Lua, fincou sua bandeira e disse: “Um pequeno passo para o homem; um grande salto para a humanidade.”. O que poucos sabem, entretanto, é que não foi um homem que tornou tudo isso possível. Na verdade, uma grande mulher preta que superou preconceitos e dificuldades, se concretizando como uma das maiores e mais revolucionárias matemáticas contemporâneas: Katherine Johnson.


Não é novidade que os Estados Unidos dos anos 50 não era exatamente amigável com os seus cidadãos de cor. Tudo era separado: banheiros, bancos, escolas, bibliotecas e até mesmo livros eram agrupados como aqueles que poderiam ser usados por pessoas brancas e os que eram usados pelos de outras etnias.


E assim viveu Katherine: nascida no interior de West Virginia, achou cedo seu interesse pela matemática e seu amor por contar desde seus passos até o número de pratos que lavava. Estudou em seu condado na única escola que aceitava estudantes pretos, sendo forçada a cursar o Ensino Médio em outra cidade, já que a sua escola só ia até o 8º ano. Apesar desses empecilhos, formou-se com apenas 14 anos e aos 15 já estava na West Virginia University - onde foi a primeira mulher negra a estudar e obter uma graduação -, contemplando o que mais amava: números. Ela cresceu sabendo de seu enorme potencial, mas tendo certeza que, devido à sua cor e ao seu sexo, teria pouquíssimas chances de impactar o mundo.


Em 1953, porém, viu sua sorte aumentar ao descobrir que a NASA estava contratando mulheres pretas. Sua função era a mesma que, hoje em dia, a de um computador: analisar dados em função de maiores pesquisas. Inclusive, as mulheres desse projeto eram denominadas pejorativamente como “computadores de cor”, sofrendo segregação e preconceito, sem ter chance de demonstrar seus verdadeiros talentos. Tudo isso já seria muito desafiador em si mas, como mulher, Katherine ainda possuía as obrigações de dona de casa e esposa impostas pela sociedade da época. Era forçada a cuidar de três filhas e do marido, que acabou morrendo de câncer em meio a esse turbilhão em que vivia Johnson.


Ela não desistiu, porém, de revolucionar o mundo. Em 1958, passou a trabalhar como técnica aeroespacial, também ajudando na área de Controles Espaciais. Assim que lhe deram apenas uma pequena brecha para se destacar, Johnson não só ajudou tremendamente com seus projetos como foi essencial para alguns dos pioneiros e mais importantes trabalhos no espaço. Alguns de seus maiores destaques estão escritos em livros por todo o mundo: calculou a trajetória de voo de Alan Shepard, o primeiro norte-americano no espaço; verificou os primeiros cálculos de computador da órbita de John Glenn ao redor da Terra - que exigiu que apenas ela os fizesse, recusando-se a decolar sem sua ajuda; e foi essencial para o lançamento da Apollo 11, a primeira missão a levar o homem até a Lua. Além disso tudo, ela também foi a primeira mulher negra a ter a autoria de artigos reconhecida na NASA.



A americana não teve sua a importância limitada à área aeroespacial no ramo da ciência, como também sua grandeza na História Contemporânea - principalmente quando se trata da Corrida Espacial (na qual Johnson contribuiu) e na consequente ascensão dos Estados Unidos como a maior potência mundial. Assim, observa-se que o trabalho de Johnson foi essencial para a sociedade, definindo aquele pulo para a humanidade quando o homem pisou na Lua, e os diversos outros que vieram depois.

Ela, ainda, apesar de ser uma grande revolucionária, é pouco conhecida. Além de merecer o mérito por seus trabalhos, Katherine também é inspiração para todas as pessoas de cor, especialmente mulheres, que enfrentam ou enfrentaram dificuldades de entrar na Ciência. Ela mostrou a todos que, com estudo, perseverança e oportunidades, se pode ir além de qualquer barreira imposta pela sociedade, ultrapassando limites e, assim, decolando em direção às estrelas.





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