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EXPLORANDO AS DINÂMICAS CAPITALISTAS: IMPACTO NAS INTERAÇÕES HUMANAS E RELAÇÕES SOCIAIS



RESUMO


A análise marxista sobre as dinâmicas do capitalismo, especialmente em "O Capital", revela implicações nas estruturas sociais e interpessoais. Exploramos como as ideias de Marx iluminam as relações sob o capitalismo, destacando conceitos como alienação, mercantilização e divisão de classes. No entanto, a pesquisa busca compreender e analisar essas teorias, examinando sua influência na produção e nas implicações psicossociais do capitalismo de consumo. Portanto, revela-se a influência abrangente do sistema capitalista sobre a psique e identidade individual, contribuindo para uma compreensão mais profunda das relações sociais e econômicas.


Palavras-chave: Capitalismo; Desigualdades Sociais; Interações Sociais; Relações Sociais.









Ao longo da história, o capitalismo tem exercido certas influências profundas nas estruturas sociais e nas relações interpessoais. Nesse contexto, as ideias de Karl Marx, particularmente expostas em sua obra “O Capital”, analisam criticamente as dinâmicas do capitalismo e de como elas moldam as interações humanas. Ao explorar conceitos como alienação, mercantilização e divisão de classes, surge a necessidade de refletir sobre os impactos desses fenômenos nas relações sociais. É fundamental examinar como a produção capitalista é organizada, sua relação com a anarquia e a influência da lei do valor nesse processo, elementos centrais para compreendermos as implicações do capitalismo em nossa vida cotidiana e nas estruturas sociais mais amplas.




O conceito de alienação é central para entender as relações sociais sob o capitalismo. A alienação ocorre quando os trabalhadores são privados do controle sobre seu próprio trabalho e dos frutos de seu esforço. Essa privação pode se manifestar de várias maneiras, como a perda de conexão com o produto final, a falta de autonomia no local de trabalho e até mesmo a alienação de si, quando os trabalhadores são tratados como meros instrumentos de produção. Por exemplo, em uma fábrica, os operários podem se sentir alienados do produto que estão fabricando, pois não têm voz sobre o processo de produção ou destino do que estão produzindo. Eles podem sentir que seu trabalho é apenas uma mercadoria a ser vendida e que não têm controle sobre seu próprio destino (Marx, K, 2013).


Essa alienação está intrinsecamente ligada à mercantilização, a transformação de tudo, inclusive do trabalho humano, em mercadorias. No sistema capitalista, o trabalho é tratado como uma mercadoria, sendo comprado e vendido como qualquer outro objeto. Isto leva à exploração dos trabalhadores, pois o objetivo principal das empresas é maximizar o lucro, muitas vezes às custas do bem-estar dos trabalhadores. Essa busca incessante pelo lucro está intimamente ligada ao conceito de valor na teoria marxista. Marx argumenta que o valor de uma mercadoria não está intrinsecamente ligado ao trabalho necessário para produzi-la, mas sim ao valor de troca que ela possui no mercado. Isto leva à exploração dos trabalhadores, pois as empresas procuram maximizar o lucro, pagando salários baixos e aumentando a jornada de trabalho (Marx, K, 2013).


Entretanto, como consequência dessas ações sociais, a divisão de classes é colocada em notoriedade. A exploração supramencionada é exacerbada pela divisão de classes, onde os proprietários dos meios de produção detêm o poder econômico e político, enquanto o proletariado é explorado e alienado de seu trabalho. Essa divisão cria um conflito fundamental entre as classes, que Marx teorizou que levaria eventualmente à luta de classes. O materialismo histórico é o método analítico utilizado por Marx para entender a sociedade e sua evolução ao longo do tempo. Esse método enfatiza a importância das relações materiais de produção na determinação das condições sociais e econômicas. Ele também reconhece a natureza dinâmica, com a sociedade passando por contradições internas que eventualmente levam a mudanças sociais e políticas. Introduzindo o materialismo histórico como método analítico, Marx busca compreender a sociedade e sua evolução ao longo do tempo, enfatizando a importância das relações materiais de produção na determinação das condições sociais. Reconhecendo a natureza dinâmica e em constante mudança da história, o método destaca as contradições internas que, ao longo do tempo, conduzem a transformações sociais e políticas.


No centro da análise marxista está a distinção entre trabalho e força de trabalho. O valor da força de trabalho não é determinado pelo valor produzido pelo trabalhador, mas sim pelo valor necessário para reproduzir essa força de trabalho. Assim, o salário não paga o valor do trabalho, mas o valor da força de trabalho, criando uma situação em que o trabalhador produz mais valor do que recebe em salário, gerando a mais-valia. A mais-valia, representa o excedente de valor produzido pelo trabalhador acima do valor pago em salários. Marx distinguiu entre mais-valia absoluta, obtida por meio da extensão da jornada de trabalho, e mais-valia relativa, obtida por meio do aumento da produtividade do trabalho. A exploração da força de trabalho é essencial para a acumulação de capital e a reprodução das relações de produção capitalistas (Marx, K, 2013).


Percebe-se como as dinâmicas desse sistema, como a busca pelo lucro, a competição e a divisão de classes, moldam as interações diárias. No contexto da produção capitalista, conduzida por proprietários privados concorrentes, é possível verificar uma regulação fragmentada e anárquica, onde a ausência de um planejamento centralizado no âmbito global resulta em uma dinâmica caracterizada pela anarquia. Apesar de existir um plano estabelecido pela administração dentro das empresas, essa regulação consciente não se estende ao contexto social mais amplo (Marx, K, 2013).


Essa anarquia, porém, não conduz ao caos, uma vez que a produção capitalista é governada pela lei do valor. Essa lei, embora regule a produção social, gera constantes oscilações e desequilíbrios, mantendo o processo em constante dinamismo. Marx, ao contrário da tradição burguesa que idealiza a economia capitalista como harmoniosa, destaca essa anarquia inerente à produção capitalista, a divergindo da ideia de equilíbrio. Mesmo diante das críticas, é crucial ressaltar que a concepção marxiana não considera a lei do valor como um princípio de equilíbrio, mas sim como um regulador que opera mediante contradições e desequilíbrios inerentes às relações de produção capitalistas. É crucial ressaltar que, apesar das críticas, à concepção marxiana não enxerga a lei do valor como um princípio de equilíbrio; ao contrário, a compreende como um regulador que opera por meio de contradições e desequilíbrios inerentes às relações de produção capitalistas (Marx, K, 2013).


Marx analisou o desenvolvimento da forma do valor, destacando como o surgimento do dinheiro foi uma consequência das relações mercantis em evolução. Ele argumentou que o dinheiro era uma necessidade implícita nas trocas mercantis mais simples, onde o valor de uma mercadoria passava a ser representado por sua expressão monetária. Ao longo do tempo, os metais preciosos, como ouro e prata, foram selecionados para desempenhar o papel de mercadoria absoluta, representando o valor de todas as outras mercadorias (Marx, K, 2013).


No entanto, Marx enfatizou que o surgimento do dinheiro e a simples circulação monetária não eram suficientes para o surgimento do modo de produção capitalista. O teórico refutou interpretações históricas que viam na antiguidade uma economia capitalista, destacando que o capital comercial e de empréstimo já existiam, mas não dominavam o processo de produção. Essas formas de capital captavam o produto excedente por meio de trocas desiguais e empréstimos com altas taxas de juros, mas não controlavam o processo de produção em si (Marx, K, 2013).


O verdadeiro motor do capitalismo era o capital industrial, que se destacava por explorar diretamente o trabalho assalariado. O capital industrial surgiu em estágios como a cooperação simples, a manufatura e a fábrica mecanizada durante a Revolução Industrial. Esse desenvolvimento proporcionou a base técnica necessária para o pleno desenvolvimento do capitalismo industrial. A formação do capital industrial representou uma mudança significativa no modo de produção, pois foi nesse estágio que o capital se tornou uma força motriz dominante na economia. O autor destacou que o capital industrial se tornou a modalidade exponencial do capital, submetendo o capital comercial e de empréstimo às exigências da reprodução e expansão das relações de produção capitalistas. Contudo, esse processo foi crucial para consolidar o domínio do capital sobre os meios de produção e o trabalho (Marx, K, 2013).


Além disso, Marx expõe a alienação na sociedade e a violência na formação do capitalismo. O fenômeno do fetichismo da mercadoria e do capital, desvendando a natureza alienada de uma sociedade onde os objetos parecem possuir vida própria e as pessoas são dominadas pelas mercadorias que elas mesmas criam. No processo de produção capitalista, as mercadorias assumem poderes enigmáticos, enquanto os produtores se coisificam, perdendo o controle sobre sua própria criação. Ademais, Marx não limitou sua análise apenas ao processo de produção, mas também investigou a acumulação originária do capital. Ele destacou que o capitalismo não surgiu de maneira pacífica e gradual, mas sim por meio de processos violentos de expropriação e despossessão, como o colonialismo mercantilista. Nessa análise, é destacado que o capitalismo não teve origens pacíficas e graduais, porém, ao contrário, se originou por meio de processos violentos, como os observados no colonialismo mercantilista (Marx, K, 2013).


Marx também discutiu a composição orgânica do capital, que se refere à relação entre o capital constante e o capital variável. A observação marxista indica que a elevação da composição orgânica do capital, resultante do aumento da produtividade, tende a aumentar a exploração da força de trabalho e a concentração de capital. A análise de Marx sobre o surgimento do capitalismo, a exploração da força de trabalho e a acumulação de capital fornecem uma base teórica sólida para compreender as dinâmicas do sistema capitalista e suas consequências sociais. Suas ideias continuam relevantes para a compreensão das desigualdades e contradições inerentes ao modo de produção capitalista e para a busca de alternativas mais equitativas (Marx, K, 2013).


A análise de Marx sobre o capital revela sua influência na vida diária. Na composição orgânica do capital e suas implicações na exploração da força de trabalho e na concentração de capital oferece uma base teórica crucial para compreender as dinâmicas do sistema capitalista. Além disso, ao relacionar esses conceitos com a experiência cotidiana, se percebe como o constante fluxo de informações e mudanças na sociedade contemporânea contribui para uma sensação de vertigem e crise, resultante da priorização da produção, acumulação e consumo incessantes pelo sistema econômico dominante.


A busca humana por significado enfrenta desafios na era da informação. A incessante busca do ser humano por atribuir significado a tudo que o cerca reflete sua profunda necessidade de compreender e contextualizar o desconhecido dentro da dinâmica humana. Essa jornada de entendimento não apenas revela a complexidade das interações diárias, mas também evidencia a constante luta para decifrar os mistérios do ambiente que os cerca. No entanto, essa tarefa se torna cada vez mais desafiadora diante do constante fluxo de informações e mudanças que caracterizam a sociedade contemporânea. A avalanche de dados e a rápida evolução tecnológica não apenas ampliam as possibilidades de conhecimento, mas também criam um cenário onde discernir entre verdade e ficção, entre o essencial e o supérfluo, se torna uma tarefa cada vez mais complexa. Assim, o ser humano se vê constantemente em uma encruzilhada entre a busca pelo entendimento e a sobrecarga de informações, desafiado a encontrar clareza e significado em meio à névoa do desconhecido.


Estamos imersos em um turbilhão de acontecimentos que desafiam nossos valores, comportamentos e até mesmo nossa própria identidade social. Nesse turbilhão de acontecimentos, que desafiam valores, comportamentos e até mesmo a própria identidade, há uma sensação de vertigem constante. Essa sensação de vertigem constante é em parte resultado do sistema econômico dominante, que prioriza a produção, acumulação e consumo incessantes. A busca pelo lucro e competitividade molda não apenas a economia, mas também os processos de subjetivação, afastando-nos dos padrões sociais tradicionais e gerando uma sensação de crise. A perda de referências socioculturais codificadas contribui para a fragmentação da experiência humana, levando a uma indefinição e sofrimento psíquico potenciais (Hur, D; et al, 2018).


Neste sentido, o macro sistema capitalista é baseado em conceitos culturais que afetam as estruturas nas quais as pessoas estão inseridas. Por exemplo, é possível observar que as estruturas sociais são influenciadas por certos valores e crenças, se uma sociedade valoriza a competição individual e a busca pelo sucesso financeiro como métrica primordial de realização pessoal, isso pode impactar como as pessoas interagem umas com as outras no ambiente de trabalho. Esse enfoque na competição e no sucesso material pode resultar em ambientes de trabalho mais competitivos e menos colaborativos, onde as pessoas tendem a priorizar seus próprios interesses em detrimento do bem-estar coletivo. No contexto capitalista, a premissa de separar o estado das atividades comerciais é fundamentada na crença dos capitalistas de que os mercados são eficientes, devendo, assim, operar sem interferências (Guitart, M, 2011).


O mercado é considerado o árbitro mais justo e eficiente dos recursos, conforme preconizado por Smith ao defender a promoção do “sistema de liberdade natural”. Os conceitos elaborados por Smith continuam influentes na atualidade, particularmente sua teoria da “mão invisível” do mercado, que postula que a busca do interesse próprio individual resulta em benefícios coletivos para a sociedade. Hoje, se evidencia uma crescente dominação do sistema capitalista sobre as formas de consumo (Guitart, M, 2011).


No contexto do 'capitalismo de consumo', se define um sistema econômico, político e social no qual os meios de produção são predominantemente de propriedade privada e operados, e no qual investimentos, distribuição, renda, produção e precificação de bens e serviços são determinados através da operação de uma economia de mercado livre. Consumir é a essência do capitalismo e não pode ser dissociado dele (Guitart, M, 2011).


Segundo do ponto de vista da psicologia macrocultural, o capitalismo interfere nos sistemas de crenças, na política, na religião e na moral. Por exemplo, o pensamento de Ayn Rand a posicionou entre as principais defensoras do capitalismo de laissez-faire, na economia significa permitir que a indústria seja livre de restrições governamentais. Sua abordagem representa uma das primeiras justificações morais para o capitalismo com um novo código de moralidade: ‘egoísmo racional’. A autora não justificou o capitalismo com base na pura praticidade, de que é o melhor sistema criador de riqueza, ou no sobrenatural, de que a religião apoia o capitalismo, ou porque beneficia a maioria das pessoas, mas porque é o único sistema sociopolítico moralmente aceitável, pois permite que as pessoas ajam em seu próprio interesse (Guitart, M, 2011).


Conforme uma pesquisa da Universidade de Girona, Espanha, o consumismo afeta psicologicamente o ser humano, gerando doenças mentais e prejudicando as relações sociais. No entanto, é esperado que um fator macrocultural afete uma ampla gama de fenômenos psicológicos: doenças mentais, transtornos de personalidade, identidade e motivação. De fato, alguns pesquisadores elucidam os efeitos psicológicos do modo de vida do consumismo: a criação de necessidades infinitas, o ‘paradoxo da escolha’, desejo por estímulos sensoriais e prazer material, comportamento impulsivo e hiperativo, insatisfação com a vida tradicional, desejo por novidade, identificação do eu com produtos comerciais, autoengrandecimento, autoexpressão, falha de memória histórica, senso de merecimento, preocupação com aparência, gerenciamento de impressões, priorização do materialismo sobre as relações sociais, e deterioração das relações interpessoais, felicidade e realização pessoal (Guitart, M, 2011).


Portanto, torna-se evidente a complexidade e profundidade das análises marxistas sobre as questões psicossociais. Através dos conceitos de alienação, mercantilização, divisão de classes e da lei do valor, Marx convida à reflexão sobre as dinâmicas desse sistema econômico e suas implicações para a sociedade. Sua crítica ao fetichismo da mercadoria e sua análise da acumulação originária do capital também lançam luz sobre as raízes históricas e as contradições fundamentais do capitalismo. Considerando esses conceitos em conjunto com as manifestações contemporâneas do capitalismo de consumo, é notório a influência abrangente desse sistema sobre a psique, comportamento e identidade. Contudo, ao enfrentar os desafios impostos pelo capitalismo, é essencial buscar alternativas que promovam uma sociedade mais equitativa, levando em conta tanto os aspectos econômicos quanto os psicossociais envolvidos.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro 1. São Paulo: Boitempo, 2013.


HUR, Domenico; JÚNIOR, Fernando; RESENDE, Maria. Psicologia e Transformação: Intervenções e Debates Contemporâneos. Editora UFG, 2018. 2ª Ed. ISBN: 978-85-7274-501-7.


GUITART, Moisés. The consumer capitalist society and Its effects on identity: a macro cultural approach. Rev. psicol. polít:  São Paulo.  V. 11, n. 21, p. 159-170, jun.  2011.   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-549X2011000100012&lng=pt&nrm=iso. Acesso em  18  fev.  2024.



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