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  • Mayse Martiliano

Como está a arte na contemporaneidade?

Os vestígios dos primeiros hominídeos podem ser identificados em pinturas rupestres, onde documentavam seu cotidiano, crenças e comunicação. Esses registros iniciais de arte, que perduram até hoje, mantêm características consistentes: demonstração e informação.


Figura 1 - representação da arte rupestre


A capacidade eficaz de expressar a cultura de maneira vibrante, compreendida como a criação artística, transcende o indivíduo, influenciando, e sendo influenciada fortemente pelo coletivo, de forma que é possível em períodos distantes possuir conhecimento acerca de tais eras com magnificência. Isso por sua vez, traz o questionamento: O que será que nos espera mediante grandes artistas da nossa década? Bem, a hegemonia cultural, que é em principal, estadunidense, e tão contrastante com o período histórico, caracterizado pela rápida comunicação entre os seres, em que estamos inseridos. Estamos todos a um "clic" de uma conversação, e mesmo assim, não há compartilhamento de culturas diversas, ou holofotes para artistas que o fazem.


Nesse sentido, a arte não apenas desempenha, mas como também deveria, ocupar um papel de alta importância na sociedade, uma vez que, esse é o principal meio para a manifestação cultural de um povo. Vale articular também que a arte é o catalisador de nossa humanidade. É por meio dela que não somos apenas uma massa de células, mas como também, seres com habilidades cognitivas e uma inclinação para criar, retratar. Isso, por sua vez, é relevante para a funcionalidade de uma sociedade onde é necessário, questionar, criticar, gerar empatia, acalentar, protestar e transmitir ideias. Contudo, nos modelos capitalistas, a arte muitas vezes perde a capacidade de deslumbramento crítico, acabando por assumir o papel de entretenimento visando o lucro, configurando uma 'indústria de massa' como proposta por Theodor Adorno, filósofo alemão.


Figura 2 - Filme da Barbie (2023) como exemplo de produto com fins lucrativos


Além disso, a arte se torna um meio para controle social e alienação, já que, com o advento da globalização, é nítido como esse fenômeno tem se propagado na contemporaneidade, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos realizaram uma ofensiva para impulsionar o consumo, visando a reconstrução econômica interna. Essa abordagem baseou-se na produção industrial, a qual, direcionada aos mercados externos, visava países com potencial consumidor. Assim, a influência foi disseminada, especialmente por meio de telas tecnológicas, apresentando a cultura do consumo e o estilo de vida americano para audiências internacionais.


Figura 3 - American way of life (estilo de vida americano) pós Segunda Guerra


Desse modo, a função cultural artística acaba se perdendo em meio à disseminação estadunidense predominante, enfatizando a indução do consumo desenfreado através de uma busca superficial por identificação. Ademais, na Era Moderna, em que jornais e arte retratam a indiferença humana ao coletivo, destacando a priorização do indivíduo sobre os outros, é notório de como a arte pode ser uma ferramenta para revoluções sociais, que obviamente, estão sendo contidas a partir dessa hegemonia cultural. Vamos tomar, por exemplo, o período do Renascimento na Europa, entre os séculos XIV e XVII, que se desvinculou do antigo sistema dogmático medieval, abraçando o conhecimento científico. Este movimento além de ter impactado a cultura da época, lançou também as bases para o Iluminismo e a Revolução Científica, moldando não apenas a evolução da sociedade europeia, mas eventualmente da global.


Figura 4 - representação do Renascimento Científico


Logo, é possível surgir com o questionamento de como dar destaque às “verdadeiras" artes, aquelas com objetivos positivistas para o progresso, e a resposta está em ouvir aqueles que mais precisam se expressar: a população socioeconomicamente vulnerável. Como Vladimir Maiakóvski afirmou, "A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para moldá-lo."


Figura 5 - Vladimir Maiakóvski (1893-1930), poeta e dramaturgo russo


Portanto, a população privilegiada deveria, de alguma forma, permitir-se abrir espaço para visualizações de culturas diversas, informações acerca dos acontecimentos globais, e procurar meios diferentes para tais informações, permitindo uma abordagem mais crítica, e consequentemente contribuir para o retorno de uma sociedade culturalmente mais rica.


Em conclusão, é indubitável que a arte desempenha papéis cruciais na formulação e manutenção da sociedade. No entanto, sua função eficaz na cultura, evidente antes da globalização tecnológica, contrasta com os tempos contemporâneos em que as artes muitas vezes são reduzidas a produtos, refletindo a hegemonia cultural vigente e uma tensão sobre sua importância econômica. Ainda assim, há esperança para aqueles que genuinamente consomem e produzem arte, e deve-se ouvir abertamente a todas as pessoas, pois a humanidade possui inerentemente o encantamento crítico necessário para revoluções e comunicações infinitamente significativas para a sociedade.







REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


[1] Domingues Marques, Carina. "Arte Rupestre." UFMS, Vol. 3, No. 4, 2017, pp. 21-36. Disponível em: https://periodicos.ufms.br/index.php/moncx/article/view/3126/2530


[2] Adorno, Theodor. Sobre a Indústria Cultural. Gomes dos Santos, Deijenane. "Hegemonia Americana na Era Pós-Guerra Fria: Continuidade ou Declínio?" Conjunctures: Uma Revista Internacional de Estudos Globais, Vol. 2, No. 3, 2013, pp. 103




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