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  • Foto do escritorEnzo Santos

'Wonka': Monopólios em uma sociedade de chocólatras

A história de um empreendedor


Definitivamente, um dos personagens que nós mais lembramos, quando se trata de chocolates, é o Willy Wonka, proprietário da Fantástica Fábrica de Chocolate. Recentemente, as grandes telas receberam a mais aguardada comédia musical “Wonka” baseada no clássico livro do escritor inglês, Roald Dahl, “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. O longa trata da juventude de Willy Wonka e do começo de seu império confeiteiro. Os vilões da obra são os três caricatos mestres-chocolateiros que dominam a Galeria Gourmet, centro comercial da cidade onde o jovem Willy chega para tentar realizar suas ambições empreendedoras. 


Slugworth é aquele que detém maior poder dentre a trindade das empresas que residem no centro da cidade. No filme, o próprio explica que eles não só creem que o protagonista seja talentoso, mas sim um ponto crítico ao seu monopólio da indústria confeiteira. A qualidade inigualável dos produtos de Wonka  faz com que ele se torne uma ameaça mercantil, pois pode evocar aos clientes da localidade que é possível que se tenha melhores produtos, por menores preços.



Figura 1: Três antagonistas do filme “Wonka”


Torna-se curioso observar os acontecimentos que estas empresas realizam, com o intento de eliminar, danar ou prejudicar o jovem empreendedor. Mas seriam estes eventos apenas sátiras da ficção cômica?


O que são monopólios?


A palavra monopólio é originada do grego “monos”, prefixo que indica a unidade, e  “polein”, que está associado ao conceito de venda. A conexão destes dois termos culmina na palavra que usamos hoje, tendo conotação de domínio de um único fornecedor sobre a oferta de um produto ou serviço que não possui substituto equivalente. 


Entretanto, raramente haverá uma única corporação controlando o fornecimento. Por isso, os oligopólios, que são estruturas de mercado caracterizadas pela presença de poucas e seletas empresas, formam-se em conluio para sua prosperidade.


Felizmente, a majoritariedade dos Conselhos Monetários Nacionais de cada Estado-nação reconheceram a periculosidade deste fenômeno, criando medidas protecionistas que previnem a formação destas quadrilhas. Contudo, os monarcas do mercado financeiro acharam quatro formas diversas de permanecer incólumes com suas práticas.


Os tipos de monopólios


A primeira delas, o Truste, ocorre quando uma entidade obtém controle sobre várias outras empresas. Comumente realizado no mesmo setor, por meio de suas ações e ou uma gestão centralizada. 


É uma forma de concentração econômica em que várias empresas independentes concordam em se unir sob uma única estrutura de controle ou gestão. Isso pode envolver a fusão de empresas concorrentes ou a aquisição de uma empresa por outra. O objetivo principal de um Truste, naturalmente, é aumentar o poder de mercado, reduzir a concorrência e, consequentemente, aumentar os lucros das empresas envolvidas.


Figura 2: Ilustração da formação de um truste


A segunda formação de poder é a Holding, uma empresa que possui a predominância das ações de outras empresas, geralmente com o objetivo de controlá-las. Ela não está envolvida diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, mas sim na gestão e na coordenação das atividades das empresas subsidiárias que controla. As Holdings são formadas principalmente através da aquisição de ações de outras empresas, seja por compra direta no mercado de ações ou por meio de fusões e aquisições.


Figura 3: Ilustração da estruturação de uma holding


A formação de uma Holding baseia-se em, primeiramente, a adesão, por parte de uma empresa, de uma participação majoritária ou total em uma ou mais empresas, tornando-se a acionista controladora. Em seguida, a empresa gestora assume o controle das operações e das decisões estratégicas das empresas subsidiárias. Isso pode envolver a nomeação de novos membros para o conselho de administração ou a integração de equipes de gestão. Por fim, as empresas subsidiárias continuam operando de forma independente em termos operacionais, mas agora estão sob a coordenação e supervisão da holding, que busca maximizar o desempenho e a eficiência de todo o grupo empresarial.


O terceiro e mais danoso oligopólio são os Cartéis, acordos secretos entre empresas concorrentes para controlar os preços, a produção e a distribuição de determinados produtos ou serviços em um mercado específico. Eles são frequentemente considerados uma prática anticompetitiva, visto que visam restringir a concorrência e aumentar os lucros das empresas participantes, em detrimento dos consumidores. Os Cartéis podem operar em uma variedade de setores, como petróleo, gás, indústria farmacêutica, alimentos e bebidas, entre outros.


Tais acordos geralmente envolvem empresas que, de outra forma, seriam concorrentes diretos, unindo forças para fixar preços artificialmente altos, limitar a oferta de produtos ou serviços, dividir mercados geográficos ou estabelecer práticas uniformes de negócios que restrinjam a competição. Os membros, embora tenham de trabalhar com déficit por um certo período, podem se beneficiar ao evitar a competição de preços e garantir margens de lucro, que no futuro, seriam mais elevadas do que as possíveis em um mercado competitivo.


A quarta estruturação é a mais comum, tendo em vista que não é tida como ilegal. O Dumping é uma prática comercial anticompetitiva na qual uma empresa vende seus produtos em um mercado estrangeiro a um preço inferior ao custo de produção ou ao preço que normalmente cobra em seu próprio mercado doméstico. Essa estratégia pode ser utilizada como uma forma de eliminar a concorrência local, ganhar participação de mercado ou prejudicar os concorrentes estrangeiros.


O Dumping pode ser realizado de várias maneiras, como subsidiando os custos de produção, vendendo produtos com prejuízo ou reduzindo os preços de exportação para um mercado específico. Embora possa resultar em preços mais baixos para os consumidores no mercado importador no curto prazo, o dumping pode ter efeitos prejudiciais sobre a concorrência, levando à eliminação de empresas locais e à criação de um ambiente comercial desleal e afetando as políticas keynesianistas de cada país.


Como isso afeta o cenário mundial?


Os monopólios muitas vezes operam de maneira menos eficiente do que as empresas em mercados competitivos, uma vez que não enfrentam a pressão da concorrência para reduzir custos ou melhorar a eficiência. Isso pode levar a alocações ineficientes de recursos e, em última análise, prejudicar o crescimento econômico. Além disso, estes oligarcas detém o poder de ditar os preços de seus produtos ou serviços, uma vez que não enfrentam uma disputa significativa. Somente quando o público consumidor perceber que isso pode resultar em preços mais altos, já que eles não possuem alternativas viáveis disponíveis no mercado, haverá um grande arrependimento. Contudo, será tarde demais para voltar atrás. Seremos apenas mais chocólatras, escravos da Galeria Gourmet.


Referências Bibliográficas











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