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  • Foto do escritorBruna Costa

Uma viagem às profundezas da economia mundial

O passado que foi moldado;


Há mais de um século atrás, setores específicos da indústria eram dominados por um pequeno número de indivíduos. Por exemplo, a indústria do aço era dominada por Andrew Carnegie, a do petróleo por John Rockefeller, e a indústria ferroviária e siderurgia era dominada por JP Morgan.


No começo de 1900, já uma das maiores economias já na época - Estado Unidos cai em um grande recessão, o número de desempregados aumenta drasticamente, o mercado de ações cai 50% e em 1907 bancos começam a fechar suas portas rumo à falência. Na época isso era algo comum durante crises financeiras. A ameaça de bancos indo à falência significava que as pessoas que possuíam depósitos nele, possivelmente perderiam tudo. O pânico se espalhava entre a população, e acontecia a chamada “corrida”. Imagine um cenário onde milhões de pessoas corriam até seus bancos para retirar suas economias, porém esses bancos não mantiam tanto dinheiro em mãos. Por esse motivo os bancos simplesmente falhavam. Porém, o ciclo do pânico na população só se alastrava e continuava a se repetir. O governo de 1907 não possuía instituições para lidar com o pânico da população, então o trabalho de salvar a economia de tal crise cai nos ombros de um dos homens que foram citado no início do texto - JP Morgan. Ele já dominava muitos setores industriais até aquele ponto, e era um dos maiores banqueiros da época. Morgan também foi capaz de salvar os Estados Unidos do pânico de 1907 com apenas algumas ligações e emprestando uma grande quantia de dinheiro para os bancos. Todavia, pelo fato de que essas crises fossem extremamente comuns naquele tempo, foi levantada a pauta de que se escorar em bilionários não seria uma solução efetiva. Por isso, em uma reunião hiper secreta, com apenas pessoas extremamente poderosas da época, surgiu uma ideia que foi colocada em prática em 1913 - O banco dos bancos ou banco central, conhecido como FED ou Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos. Após isso, no momento em que um banco precisasse de dinheiro, o FED estaria ali para realizar um empréstimo. 


A Reserva Federal, mesmo possuindo esse nome, opera independentemente do governo, possuindo uma base tanto privada quanto pública. Entretanto, não precisa de nenhuma autorização do governo para tomar decisões monetárias, mesmo que receba financiamento do congresso. As mentes que estão por trás do FED atualmente não são totalmente divulgadas, porém o poder que elas possuem é imensurável. Como foi dito antes, grandes crises eram muito comuns a mais de um século atrás, e mesmo com a criação do FED, elas não acabaram, muito pelo contrário.


Em ocorrências de guerras e crises, governos precisam aumentar seus gastos. E o FED estará lá, imprimindo mais dinheiro, e emprestando-o para os bancos e governos necessitados. Cobrará grandes juros cumulativos para os mesmos. E para pagá-lo, o governo recorrerá às altas inflações em seus países e cobrará impostos absurdos da população. E adivinhe que está lucrando com tudo isso? - O FED.


Livre arbítrio;


Imagine que em um dia você acorda, abre o seu celular da Samsung, entre no Whatsapp, receba uma mensagem de um amigo te chamando para ir ao shopping assistir um filme no Cinemark produzido pela Disney Studios. Você aceita, calça rapidamente seus tênis da Nike, e resolve chamar um Uber, e após a rápida viagem você chega ao shopping. depois, resolve comprar um McDonald's juntamente com uma Coca-Cola enquanto seu amigo compra uma Pepsi. Após tantas escolhas você finalmente entra na sessão com ele e vocês assistem o filme.


Você realmente fez muitas escolhas, certo? Você pode ter a ilusão de estar fazendo escolhas, escolhendo uma marca específica ao invés de outra. Os logotipos, os termos visuais, os anúncios podem ser diferentes, mas saiba que há um número extremamente pequeno de empresas se beneficiando com cada uma de suas ações. E há uma grande possibilidade de que você nunca tenha ouvido falar das mesmas, pois querendo ou não, elas gostam de trabalhar nas sombras.


Empresas que supostamente são concorrentes, possuem as mesmas mentes tomando decisões importantes. Veja abaixo acionistas da Coca-Cola na primeira imagem, e acionistas da Pepsi ao seu lado:



Figura 1



Perceba os nomes Vanguard Group Inc, BlackRock Inc e State Street Corporation. Elas são conhecidas como Big-Three no mundo dos negócios. Juntas elas dominam praticamente toda a indústria alimentícia - e essa mesma indústria é dominada por um pequeno número de corporações, como Coca-Cola, Pepsico, Unilever, Danone, Mondelez e outras. Na imagem a seguir você pode perceber como de fato funciona tal industria, e quais são as sub empresas que as grande corporações alimentícias possuem:


Figura 1



Praticamente todas essas corporações são dominadas por alguma das Big-Three, ou as três simultaneamente, como é o caso da Coca-Cola, Pepsico e Mondelez. Caso tenha passado despercebido, saiba que as Big-Three não se limitam apenas à indústria alimentícia. Elas dominam empresas de tecnologias da qual provavelmente você é consumidor, como Apple, Samsung e Microsoft. Lojas que provavelmente você fez alguma compra pelo menos alguma vez na vida, como Amazon, Shoppe ou MercadoLibre. Elas também estão nos aplicativos que você possivelmente consome, como todos da Meta, YouTube, Google, Uber e outros.


Achou pouco? Pois saiba que elas também dominam a indústria farmacêutica, aquelas mesmas que salvaram o mundo recentemente e constantemente trabalham na elaboração de remédios, tratamentos e vacinas. Entretanto, ironicamente ou não, essas três também são acionistas de muitas empresas de tabaco, algo que influencia diretamente na saúde das pessoas. Além disso, eles estão presentes em grande parte das grandes empresas de seguros, bancos, marcas de cosméticos, empresas automobilísticas, e inclusive os métodos de pagamentos que você utiliza no seu dia a dia. 


Em uma estimativa, Vanguard Group, BlackRock e State Street Corporation juntas, administram cerca de 21 trilhões de dólares; convertido na cotação atual do dólar isso seria equivalente a 103,4 trilhões de reais. Esse dinheiro não é exclusivamente das três empresas, e sim de seus clientes. O papel dessas empresas é gerenciar ativos, ou seja, investir o dinheiro de seus clientes. Todavia, como qualquer gerenciadora de ativos que possui uma larga escala de dinheiro investido, a BlackRock, Vanguard e StateStreet possuem um largo direito de voto nas empresas das quais seus clientes investem por razão desses ativos estarem em seus nomes. E como foi possível observar ao longo deste artigo elas estão no topo da margem de acionistas das maiores empresas do mundo.


Em uma análise publicada pela Cambridge University em 2017 afirmava que elas são as maiores acionistas de 88% das 500 maiores empresas dos Estados Unidos, as mesmas que foram citadas anteriormente e muitas outras, enquanto um estudo de Bloomberg News publicado no Financial Post em 2017 afirmava que a BlackRock e Vanguard seriam donas de quase tudo em 2028.


Por trás das cortinas;

Crises podem ser catastróficas para a maioria, mas sempre há aqueles que se beneficiam por meio delas. Considerada a pior crise financeira desde a Grande Depressão, a crise de 2008, em resumo, começou após os bancos passarem a oferecer empréstimos a juros baixos para a população financiar a compra de imóveis – mesmo para pessoas que não conseguiam comprovar renda suficiente para quitá-los. Entretanto, ninguém imaginava que milhões de pessoas não iriam pagar seus empréstimos. E novamente o FED estava por lá, e ele foi obrigado a intervir para salvar os mesmos bancos que causaram essa crise. A falência de um dos bancos mais antigos dos Estados Unidos, o Lehman Brothers, já havia sido uma grande catástrofe que poderia levar à falência do sistema financeiro como um todo, pois todos os bancos compram e vendem dívidas entre si. A crise estava em tão larga escala que o FED teve que recorrer ao mercado financeiro, e incrivelmente a única instituição que estava lidando bem com a crise era a BlackRock.


Desde 2007, a mesma estava trabalhando para salvar bancos e outros gerentes de ativos. Larry Fink, o fundador da BlackRock faz negócios com muitos oficiais do governo, e muitos dos seus funcionários já trabalharam no FED. A BlackRock está diretamente conectada com o governo estadunidense desde a sua fundação na metade de 1990. O fato da BlackRock ter atuado ativamente em gestão de crises no tempo que antecedeu a grande crise, fez com que contratos vindo diretamente do governo no valor de 200 milhões de dólares, 990 milhões de reais na cotação do dólar atual, fossem jogados para as mãos da mesma. Muitos desses contratos até hoje não foram divulgados. A empresa foi responsável pela liquidação de centenas de bilhões de dólares em dívidas de bancos globalmente. Nunca antes outra companhia privada teve tanta autonomia dentro do FED - ela ditou a atuação do grande banco dos bancos, e de fato já na época não restou dúvidas do poder que a mesma carregava e viria a carregar no futuro.


O sistema computacional criado pela BlackRock, o Aladdin, é uma inteligência que libera ferramentas para aqueles que o utilizam para ajudar na organização, comunicação efetiva e principalmente na mitigação de riscos que poderiam passar despercebidos por seres humanos, ou seja ele vêm a ser extremamente útil para decisões para todas as fases de um investimento. O Aladdin possui grande influência mundialmente, pois o mesmo é usado na maioria dos bancos, muitas empresas e outras organizações. Só em 2020 o Aladdin administrava cerca de 21,6 trilhões de dólares, e isso sem qualquer sombra de dúvidas é muito poder para apenas uma empresa.


Em uma análise mais profunda da BlackRock veriamos nomes familiares:


Figura 3


Os mesmos três nomes de sempre aparecem no topo da gama de acionistas da BlackRock, e até a própria está incluída. Afinal, elas são donas uma da outra? Veja a seguir as maiores donas da State Street Corporation que foi citada anteriormente:

Novamente, as três empresas tomam a cena. Se olharmos para o topo de ambas listas notamos que a Vanguard Group possui a maior partilha de ambas empresas analisadas. Entretanto, não há informações em relação a quais são os maiores acionistas por trás da mesma, pois isso, querendo ou não, é uma informação secreta de acordo com alguns especialistas.


Conclusão;


Figura 3


Ao longo da história da humanidade, a ambição foi tanto nossa salvação quanto a nossa ruína. Isso melhorou a qualidade de vida das pessoas se formos pensar nos tempos pré históricos da qual a estimativa de vida dificilmente chegava a ⅓ do que tempos hoje em dia, porém querendo ou não, para muitos, nunca é o suficiente. 


O poder sempre esteve alojado nas mãos de uma pequena parcela de indivíduos, e isso continuou dos tempos de feudalismo, para os tempos onde pessoas específicas dominavam setores importantes para a indústria e caminhou também para o presente que vivemos hoje em dia. Mas as pessoas mais poderosas do mundo não conquistaram tais poderes de um dia para o outro; isso vem de gerações. Diretamente ou não, o presente está relacionado com o passado. E o futuro? Esse é o questionamento que fica.


O futuro do mundo não está em nossas mãos, porém querendo ou não, ainda estamos no controle das nossas próprias escolhas. Procure usar o conhecimento como sua ferramenta pessoal de poder, e use isto ao seu e ao favor das pessoas ao seu redor, pois o conhecimento sempre será a maior ferramenta contra a ignorância que muitos esperam que tenhamos.








REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



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