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  • Thomas Finger

Inteligência artificial: Solução para os problemas ou um caminho ao Wall-E?

Nos anos que estão por vir, sua vida provavelmente será de alguma forma afetada pela IA, (Inteligência Artificial). A crescente indústria provavelmente terá impacto tão grande que modificará o mundo todo. No entanto, ainda não se sabe como, nem em que partes da vida irão mudar, já que, pela própria definição, Inteligência artificial se aplica a quase todas as áreas.

Segundo uma entrevista feita com o especialista em ciência da computação e professor da Universidade da Califórnia em Berkeley Stuart Russell(1): “Há uma grande diferença entre perguntar para um humano fazer algo, e dar essa ‘missão’, com o mesmo objetivo para ser realizada por um sistema de IA”. Inteligência Artificial é uma nova área de atuação de tecnologias que surgiram com o crescente números de pesquisas feitas no elevado desenvolvimento tecnológico do século XXI, ou, como alguns chamam, a Quarta Revolução Industrial. Essa área serve como uma simulação da inteligência possuída por humanos e seus processos de reconhecimento e atuações, como respostas a certas ações em máquinas que ocorrem especialmente em redes computacionais (2).

O especialista adiciona à sua explicação o exemplo de uma simples ação como buscar uma bebida: “Quando se pede a um ser humano para buscar uma xícara de café, essa não será programada como sua missão de vida, será apenas uma missão simples, já que todos os outros fatores externos a nós vão adicionar ao nosso comportamento”.





Ademais, outro fator que Russell incorpora é o problema com os sistemas de IA: estes apenas possuem um objetivo fixo, visto que os algoritmos que os definem requerem instruções específicas para estes atuarem. Como exemplo, uma possível solução para a acidificação dos oceanos poderia ser desenvolvida através de um algoritmo que promoveria certa reação catalítica que, através de IA, faria-a eficientemente, consertando o problema. Contudo, desconsiderar outros fatores externos, como o consumo de oxigênio da atmosfera que isso demandaria, causando diversos outros problemas ambientais, além de nocivo aos seres humanos.


A pergunta norteadora seria: como deixar esses sistemas mais eficientes para auxílio em seus maiores potenciais. Ser mais objetivo considerando todos os fatores externos em seu programa apenas causará um loop de infinitas condições a serem consideradas, diz Russell. Voltando ao exemplo da acidificação dos oceanos, surge uma reação catalítica eficiente, mas que afeta os peixes. Dessa forma,se refaz o programa considerando os peixes, mas afetando as algas. O programa é refeito novamente, mas não consideram o fluxo de outras espécies e novos possíveis desbalanceamentos ecológicos e tróficos… sempre tendo que aprimorar a tecnologia.


Já os seres humanos não possuem essa questão, pois automaticamente consideram os fatores externos, podendo realizar a ação, creer ser uma ação que não vale a pena ser realizada, ou encontrar uma nova forma de realizá-la. O professor dá o exemplo de comprar café: “Supõe que você e outra pessoa estão em um hotel chique, e você a pede para comprar um café no estabelecimento. Ela vai até o local e percebe que a bebida custa 18 euros (o equivalente a quase 100 reais, em 2022), ele então voltará, te perguntará ‘tem certeza?’ e sugeriráoutro lugar para comprar café, mais barato”. Essa contornação de problemas que aparenta ser algo simples, na realidade, para sistemas de Inteligência Artificial é mais complexa. A forma como os sistemas são construídos agora, se os objetivos não são 100% claros para os sistemas, tais questões não se resolverão.


No entanto, se forem construídos sistemas que têm consciência de que não sabem qual o objetivo dele é, começarão a expor alguns comportamentos, como (voltando ao exemplo de acidificação dos oceanos) perguntar se realmente deve realizar a reação catalítica para desacidificar os oceanos, antes de retirar quantidades que seriam nocivas aos humanos do oxigênio da atmosfera.


Dessa forma, o controle sobre os sistemas de IA vem da incerteza da máquina sobre seu verdadeiro objetivo, pois, quando se constrói máquinas que sabem seu objetivo, é possível se observar uma espécie de um comportamento psicopático definido por conseguir completar seu objetivo, uma questão que também se vê em humanos. Porém, o que acontece quando um IA mais generalizado atinge áreas que afetam a população, tais como a economia? Quais serão as mudanças e como as nações se adaptarão?


Keynes, economista fundador da macroeconomia moderna, expôs em sua obra “teoria geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, expôs a teoria do desemprego tecnológico em 1930. Isso porque possuía um único pensamento: se uma máquina faz o trabalho, o desemprego consequentemente aumentará. No entanto, se a gestão da civilização for passada às máquinas, perde-se o incentivo de compreender e ensinar às futuras gerações como funcionam as máquinas, chegando a um ponto no qual os humanos simplesmente cedem todas suas funções e se tornam dependentes das máquinas. O longa-metragem de 2008 da Disney e Pixar, Wall-E, representa perfeitamente como seria uma distopia de um mundo com IA.





Em resumo, Inteligência Artificial irá mudar o mundo, tendo aspectos positivos, a exemplo facilitar a criação de soluções para problemas do mundo como mudanças climáticas, criação de máquinas que possibilitem que seres humanos em diversas áreas não sejam expostos a condições extremas, identificação de doenças com mais facilidades, entre outros aspectos. Da mesma forma, também pode possuir aspectos negativos, como desemprego ou falta de disponibilidade para realização de tarefas. Porém, isso depende da população, e como ela reagirá com as inovações tecnológicas. A revolução da IA e das tecnologias no mundo não é uma evolução de um dia para o outro, é um processo contínuo, que já se iniciou, e cada vez mais estará presente na vida, não será um momento específico. O impacto será crescente, com cada avanço na IA, o leque de tarefas expande-se significativamente.


Assim, o que se pode concluir é que o futuro é incerto, pois não se sabe como nem quando serão essas inovações, quando elas ocorreram, nem como afetarão a população. A IA é positiva, e seus impactos na sociedade são maiores ainda, porém, o que alerta a todos, é como essas tecnologias podem ser utilizadas, já que poderão salvar sua vida. Fatores externos, como políticas de investimento em educação e em pesquisa, setor que, infelizmente teve cortes no Brasil, serão fatores determinantes na velocidade com que tais inovações ocorram.



REFERÊNCIAS:


1- Entrevista com o Professor Stuart Russell sobre Inteligência artificial:


2- Artigo sobre Informações gerais de como IA irá mudar o mundo:



4- TED-Ed explicando sobre o futuro da Inteligência Artificial


5- Dystopia Humana de Wall-E:



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