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  • Foto do escritorAlexandre Casagrande

Como funcionam os neutrófilos?

Texto adaptado de “Immune” por Philipp Dettmer


Sem sombra de dúvidas o sistema imune é um dos mecanismos mais complicados do universo e do corpo humano, cheio de incertezas, nomes desnecessariamente complicados e mistérios, mas pode-se achar conforto no fato de que se sabe com grande grau de certeza que, dentro do corpo humano, há um tipo de célula que se assemelha a um chimpanzé raivoso com uma AK-47.

Você pode estar se perguntando se esse título é necessário ou até mesmo adequado, e a resposta é sim. Estamos falando dos neutrófilos, umas das células responsáveis por matar sem dó nem piedade aqueles que tentam invadir o nosso corpo (e às vezes até o próprio corpo).


Pode-se pensar no sistema imunológico como um exército gigantesco protegendo algo maior ainda (a coisa linda que é você), e todo corpo armado precisa de tática, destreza e calma, ou pura força bruta quando todo mundo é pego de surpresa. Quando nos ferimos, as células liberam químicos que alertam o sistema imune que algo está errado para ativá-lo. Os primeiros a atender o pedido de socorro são os neutrófilos, já que eles ficam vagando no sistema circulatório procurando um bico.


Quando a ação começa, é difícil descrever o horror que uma bactéria sente (se elas tivessem sentimentos). É possível fazer uma analogia a uma situação com reféns: você tem a polícia (sistema imune), os bandidos (bactérias) e os civis (gente que não tem nada a ver com isso), mas nesse caso os policiais e civis são mais de 10 vezes o tamanho dos bandidos.


A polícia começa lançando substâncias tóxicas contra os agressores, mas as coisas não são tão simples, então eles apelam e começam a devorar os malfeitores (a analogia fica complicada, mas dá para continuar) através da phagocitose, que acontece quando as bactérias são dissolvidas dentro das células. Essa combinação entre atirar e devorar continua até que o policial se empolga demais e começa a virar aquele chimpanzé raivoso previamente mencionado, não discriminando entre civis, policiais e bandidos (é uma bagunça) e causando dor e inflamação no local infectado. Mas graças a um monte de antepassados morrendo por causa dessa falta de controle, nós desenvolvemos uma adaptação para manter esses loucos sobre controle, se chama “desenvelopar as tripas da célula criando uma teia de DNA, enzimas, organelas e substâncias tóxicas fazendo o que é provavelmente uma das cenas mais aterrorizantes do mundo microscópico quando sentir que tá fazendo a coisa errada” ou apoptosis, by se preferir.


Depois dessa breve explicação, não é de se admirar que o corpo humano tenha um pouquinho de receio quando neutrófilos fazem seu trabalho, mas deve-se entender que eles são parte do chamado sistema imunológico inato, que é a primeira linha de defesa contra invasores desconhecidos. Em outras palavras, não sabemos nada sobre o que tem de errado com o nosso corpo quando a infecção começa, então a mãe natureza decidiu que é melhor prevenir do que remediar já lançando as armas grandes contra o inimigo até que células especializadas possam analisar a situação e tomar a melhor decisão.


Imagem de neutrófilos (em roxo) por https://pncq.org.br/wp-content/uploads/2021/01/Marcos-Fleury.pdf

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